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Erradicação da malária: cura total?

Uma nova abordagem, que usa remédios ao invés de inseticidas, pode facilitar a eliminação da malária. Mas o método é controverso

Erradicação da malária: cura total?
Resultados da pesquisa sugerem que os benefícios são reais (Fonte: Reprodução/SPL)

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O Dr. Li Guogiao, da Universidade de Medicina Chinesa de Guangzhou, é um dos pesquisadores que transformaram um tratamento de ervas chinês para a doença no artemisinin, um dos remédios contra a malária mais eficientes já inventados. Agora ele está supervisionando experimentos em Comores que usam uma combinação de terapia alopática baseada no artemisinin, a fim descobrir se a malária pode ser erradicada do país, cujo território é formado por um conjunto de ilhas. Caso dê certo, ele espera se instalar em algum lugar do continente africano e tentar repetir o processo lá.

A abordagem atual para lidar com a malária envolve controlar os mosquitos que disseminam a doença — seja matando-os com inseticidas químicos ou drenando os corpos de água parada nos quais as larvas de desenvolvem. A abordagem do Dr. Li é atacar não o mosquito, mas os parasitas causadores da doença em si. Uma vez que não há vacina contra a malária, o Dr. Li está usando remédios.

Os remédios em questão são o artemisin e um segundo remédio antimalária chamado piperaquina — uma combinação fabricada e vendida sob a marca “Artequick” pela Artepharm, uma empresa sediada em Guagdond que contou com a contribuição do Dr. Li. Acrescentar piperaquina à mistura reduz o risco de que uma cepa de parasitas resistente ao artemisin evolua, já que a chance de um parasita individual ser imune a ambas as formas de ataque é baixíssima.

Para manter os parasitas afastados por um período longo o bastante de seus hospedeiros humanos em dado território os pesquisadores administram três doses de Artequick, uma a cada mês. Para acrescentar uma potência extra, a primeira dose é acompanhada por um terceiro remédio, a primaquina. O Dr. Li e seus colegas denominaram essa abordagem de Eliminação Rápida da Malária por Erradicação da Fonte.

Uma preocupação mais imediata é a segurança dos remédios. O artemisinin e a piperaquina são bastante seguros, mas a primaquina rompe hemoglobinas em pessoas com deficiência de uma enzima chamada G6PD e isso pode ser letal. E muitos africanos — 15% dos habitantes de Camarões, em particular — têm uma deficiência de G6DP.

O Dr. Song Jianping, representante do Dr. Li em Comoros, no entanto, não acredita que os efeitos colaterais representarão um problema, uma vez que a dose usada é bastante baixa. Quatro mortes que aconteceram logo após pacientes terem ingerido o remédio foram registradas. Não há evidências de que esses casos não foram apenas coincidências, mas familiares estão relutantes em comentá-los com jornalistas.

Os resultados do Dr. Song sugerem que os benefício são reais, mas trata-se de um benefício coletivo. Isso muda o cálculo moral. Por um lado, há o risco de que pessoas saudáveis possam ser prejudicadas por efeitos colaterais. Por outro, há o risco de que pessoas deixem de se medicar ao considerarem que a maioria de seus semelhantes o fará.

Fontes:
The Economist - Malaria eradication: Cure all?

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1 Opinião

  1. Jorge Christian Rodrigues Cunha disse:

    Também temos problemas com malária no Brasil, embora no Rio de Janeiro o mais grave mesmo seja a dengue. Sempre vemos na tevê recomendações no sentido de evitar focos de água parada. Correto, até aí. Mas lamento que o nosso povo não tenha o costume de usar mosquiteiros, nem o governo faça campanhas nesse sentido. P’ra quem não sabe, mosquiteiro é uma tela bastante fina, colocada sobre a cama à semelhança de uma rede, e que impede que o mosquito entre para atacar a pessoa. Mosquiteiros de armação , montados sobre a própria estrutura da cama, são caríssimos, nem vale a pena comprá-los. Contudo, um mosquiteiro de teto, que fica preso no teto do quarto, sai pela média de 20 ou 30 reais; um preço que possibilita seu uso em massa. Poderia-se pensar em preços subsidiados, ou até em fornecimento gratuito, para cidadãos de baixa renda e/ou para comunidades rotineiramente infestadas com doenças transmitidas por mosquitos, como dengue ou malária. Dessa forma, seriam fornecidos mosquiteiros para comunidades carentes nas cidades, povos indígenas, populações rurais, etc.

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