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LEVANTAMENTO

Escravidão moderna atinge 40 milhões no mundo

No Brasil, aproximadamente 369 mil pessoas vivem em regime de escravidão moderna

Escravidão moderna atinge 40 milhões no mundo
Nas Américas, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos em número de escravos modernos (Foto: Pixabay)

Um total de 40,3 milhões de pessoas vivem em regime de escravidão moderna ao redor do mundo. A constatação foi feita pela fundação Walk Free e divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) na última quinta-feira, 19.

Segundo o relatório, a escravidão moderna atinge diferentes países do mundo, tanto os desenvolvidos quanto os subdesenvolvidos. É classificado como escravidão moderna conceitos como trabalho forçado, casamento forçado, escravidão, servidão por dívida, trabalhos análogos à escravidão e tráfico humano.

Das 40,3 milhões de pessoas em regime de escravidão moderna, 71% são mulheres, enquanto 29% são homens. Ao todo, 15,4 milhões de pessoas estão enfrentando um casamento forçado, enquanto 24,9 milhões precisam trabalhar obrigatoriamente.

Mesmo que o problema seja mais comum em regimes autoritários – como a Coreia do Norte, que conta com uma a cada dez pessoas nessas condições -, os países desenvolvidos são alguns dos principais responsáveis pela escravidão moderna. Isso porque nos Estados Unidos, por exemplo, a escravidão moderna movimenta US$ 144 bilhões. Ao todo, o problema movimenta US$ 354 bilhões.

Os principais produtos exportados, frutos de trabalhos de escravos modernos, são eletrônicos – notebooks, computadores e celulares – (US$ 200,1 bilhões), roupas e acessórios (US$ 127,7 bilhões) e pescaria (US$12,9 bilhões).

Dos países do G20, o Brasil, assim como a Indonésia, são dois dos que menos exportam produtos feitos por escravos modernos. Os países só movimentam US$ 3 bilhões cada. No grupo, apenas a Argentina movimenta menos do que as duas nações, com US$ 739 milhões.

Por outro lado, o relatório da Walk Free denuncia que os governos da Argentina e da Indonésia não estão tomando ações para coibir a escravidão moderna, assim como outros dez países. Já Brasil, China, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos estão lutando contra o problema. O governo australiano ainda não está adotando nenhuma medida, mas anunciou que deve fazê-lo no segundo semestre de 2018.

Escravidão moderna por região

Apenas no Brasil existem aproximadamente 369 mil escravos modernos. Na região das Américas, os brasileiros ficam atrás apenas dos Estados Unidos, que contam com 403 mil. No entanto, quando avaliada a incidência do problema a cada mil habitantes, o Brasil fica na 20ª posição na região. Os países com maior incidência de escravidão moderna, nas Américas, são Venezuela, Haiti e República Dominicana, respectivamente.

Em toda o continente americano, existem mais de 1,95 milhões de pessoas em escravidão moderna. Desse total, 66% precisam lidar com o trabalho forçado, enquanto 34% enfrentam o casamento forçado. Em termos mundiais, a região conta com 5% da incidência da escravidão moderna.

Já os países árabes contam com 520 mil pessoas em regime de escravidão moderna, cerca de 1% da estimativa global. A Ásia e os países do Pacífico, no entanto, são responsáveis por 62% dos casos no mundo, com quase 25 milhões de pessoas nessas condições.

A Europa e a Ásia Central também contam com um alto número de escravos modernos. Ao todo, são 3,59 milhões, equivalente a 9% da estimativa global. Já na África, são 9,24 milhões de escravos modernos, representando 23% da estimativa. Ao contrário das outras regiões, no continente africano a escravidão moderna é maior representada por casamentos forçados, equivalentes a 63% do problema no local.

Se analisado a incidência da escravidão moderna a cada mil habitantes, a região das Américas é a que menos conta com esse tipo de problema. Isso porque, na região, apenas 1,9 pessoas a cada mil estão em um regime de escravidão moderna – 1,3 em trabalho forçado e 0,6 em casamento forçado.

Já o continente africano precisa combater imediatamente a escravidão moderna. Na região, 7,6 a cada mil pessoas vivem nesse tipo de regime. Na África, 4,8 se encontram em um casamento forçado, enquanto 2,8 enfrentam trabalhos forçados.

Escravidão por países

Apenas oito países em todo o mundo contam com mais de um milhão de escravos modernos em seu território, são eles: Índia (7,99 milhões), China (3,86 milhões), Paquistão (3,19 milhões), Coreia do Norte (2,64 milhões), Nigéria (1,39 milhões), Irã (1,29 milhões), Indonésia (1,22 milhões) e República Democrática do Congo (1,05 milhões).

No entanto, em termos de incidência para cada mil habitantes, o país que mais enfrenta esse problema é a Coreia do Norte. O relatório estima que 104,6 a cada mil norte-coreanos estão em regime de escravidão moderna. Outro país que chama a atenção pelo número é a Eritreia, que conta com 93 a cada mil pessoas trabalhando ou casada de maneira forçada.

Do outro lado da tabela, são apenas cinco países que contam com um número igual ou menor a mil escravos modernos em seu território, sendo eles Maurícia, na África; Luxemburgo e Islândia, na Europa; Suriname e Barbados, nas Américas.

 

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Fontes:
DW-Escravidão moderna atinge mais de 40 milhões no mundo

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3 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    5,67% – Bolsa Família começa a pagar nesta quarta benefício com reajuste – 18/07/2018

    O Bolsa Família é o maior desembolso social da União, consumindo cerca de R$ 29 bilhões anuais, distribuídos a quase 14 milhões de famílias.

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    A reportagem não explica como foram obtidos os números da “escravidão moderna”. Trata-se de um recenseamento? Qual o procedimento adotado? De uma estimativa baseada no chutômetro? Ou de notícias de jornais de descobertas através de denúncias em acampamentos de empregados em colheitas temporárias? Neste caso, a violação das exigências absurdas da legislação trabalhista seria o suficiente para qualificar como trabalho escravo? O fato é que se o levantamento foi patrocinado pela ONU, podemos desconfiar de que tem mentiras com o propósito de bombear financiamento público para burocratas especializados em escandalizar a opinião pública. Ninguém duvida de escravidão patrocinada pelos grupos que pipocam ao redor do mundo, como o Boko Haram, os fundamentalistas do Oriente Médio e o costume feudal da Índia continental. Mas o mínimo que se pode esperar de quem publica números é que informe a metodologia da certeza do que está dizendo.

  3. Buckminster disse:

    O Brasil precisa de uma constituição nova que acuse pena de morte para maus políticos! É incabível a escravidão forçada que há no país. Aqui políticos são mais importantes que a nação, isto não é correto porque contrária qualquer lógica moderna de crescimento; achas que pena de morte é excesso? Então veja as condições de riscos as quais a população está sujeita, a pena de morte no Brasil se encontra em qualquer esquina também sobre duas rodas…

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