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Espionagem é usada para controle político na América Latina

Diversos serviços de inteligência latino-americanos transformaram-se em instrumentos partidários do controle político

Espionagem é usada para controle político na América Latina
Em muitos casos esse comportamento remonta à época das ditaduras na década de 1970 (Reprodução/Lo Cole)

Os escândalos sucessivos envolvendo os serviços de inteligência da América Latina refletiram a instabilidade socioeconômica e política da região. Em 18 de fevereiro, circularam notícias que dois suboficiais do serviço de inteligência da Marinha do Peru estavam sendo julgados por um tribunal militar sob acusação de terem vendido informações para o Chile. Essa notícia surgiu logo depois que diversos inimigos políticos do presidente do Peru, Ollanta Humala, queixaram-se de serem espionados pela Dirección Nacional de Inteligencia (Dini). Em janeiro dois ex-diretores do serviço de inteligência panamenho foram presos sob acusação de terem espionado um grande número de cidadãos a pedido de Ricardo Martinelli, o ex-presidente do Panamá.

Na Colômbia, as comunicações dos negociadores do governo que estão tentando estabelecer um acordo de paz com o grupo guerrilheiro Farc foram interceptadas no ano passado, aparentemente por agentes do serviço de inteligência do Exército. A antiga diretora do extinto Departamento de Administración de Seguridad (DAS) está sendo julgada por acusação de escuta telefônica ilegal de adversários de Álvaro Uribe, o ex-presidente.

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, acusou o ex-diretor do serviço de inteligência, Jaime Stiuso, de ser a fonte da acusação recente do promotor Alberto Nisman, de que ela e o ministro das Relações Exteriores haviam feito um acordo com o Irã para acobertar a verdade sobre o atentado a bomba em 1994, contra um centro comunitário judaico em Buenos Aires; a presidente também sugeriu que Stiuso estaria envolvido na morte de Nisman em janeiro. Na Venezuela, agentes do serviço de inteligência prenderam o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, por ordem do governo. Diversos líderes estudantis ainda estão presos na prisão de mármore cinza de Caracas, depois dos protestos contra o governo em 2014.

Todos esses fatos são sintomas de duas doenças latino-americanas: o abuso partidário dos serviços de inteligência pelos governos para espionar adversários políticos, e o livre-arbítrio das agências de espionagem quanto à realização de seus projetos. Em muitos casos esse comportamento remonta à época das ditaduras na década de 1970, que combateram os comunistas locais e às atividades de contraespionagem de Cuba, que tem o serviço de inteligência mais eficiente da região.

Fontes:
Economist-What are the spies for?

1 Opinião

  1. Jorge Armani disse:

    O Serviço de Inteligência serve para a coleta e análise de informações. O uso que se faz do conhecimento faz parte do poder discricionário do chefe de governo ou de Estado, segundo as leis da cada país. O problema é que por falta de doutrina, confundem, nos países atrasados, a inteligência militar (Segunda Seção) com a investigação da policia judiciária, que tem outra natureza.

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