Início » Internacional » Estado Islâmico desestabiliza os pacifistas do Japão
Crise de reféns

Estado Islâmico desestabiliza os pacifistas do Japão

Pacifismo japonês adotado no pós-guerra é abalado por ameaça feita pelo Estado Islâmico de executar dois reféns

Estado Islâmico desestabiliza os pacifistas do Japão
Vídeo do Estado Islâmico mostra dois japoneses que serão degolados se o Japão não pagar resgate (Reprodução/Internet)

O grupo jihadista Estado Islâmico ameaçou matar dois reféns japoneses a menos que o Japão pague um resgate de US $ 200 milhões até sexta-feira, 23. A quantia exigida é igual ao montante que Shinzo Abe, o premier japonês, prometeu enviar aos países que combatem o grupo terrorista. Esta crise dos reféns se tornou o maior desafio de política externa do atual premier japonês. Muitos japoneses estão nervosos com o que veem como uma tentativa do governo de empurrar o Japão para fora da sua bolha pacifista do pós-guerra.

As imagens de dois jovens japoneses, vestidos com o mesmo tipo de macacão laranja usado por reféns que foram degolados em vídeos anteriores, pode trazer sérios problemas para Abe ao girar a opinião pública profundamente pacifista do Japão contra sua busca por um papel mais ativo para o país em questões de segurança global. Para muitos, o governo tomou a decisão errada quando ofereceu R$200 milhões para combater o terror longe de suas fronteiras.

Pela Constituição japonesa de 1947, Tóquio “renunciou para sempre à guerra enquanto direito soberano” e ao “uso da força ou à sua ameaça na resolução dos conflitos entre nações”. O artigo 9 determina categoricamente: “O direito de beligerância não é reconhecido.”

A forte dependência do Japão do petróleo e gás do Oriente Médio também torna o país inclinado a querer promover a estabilidade na região. Até agora, pelo menos publicamente, Abe prometeu usar todos os meios para garantir a libertação dos dois homens, mas se recusou a pagar o resgate, medida que irritaria os EUA, seu maior aliado.

De todo modo, o Japão não tem nem a competência nem o respaldo constitucional para montar uma missão de resgate. Em quaisquer negociações com o Estado Islâmico, o Japão deve preservar as aparências de ser um parceiro de confiança do Ocidente contra o terrorismo.

A execução dos reféns japoneses parece uma tragédia inevitável.

Fontes:
Economist - Sand storm
The New York Times - Hostage Crisis Challenges Pacifist Japanese Public

3 Opiniões

  1. Alexandre Sousa disse:

    Devia ter um ataque massiço aos terrorista. Mas deviam garantir que os tiros mortais deviam ser dados por mulheres.

  2. Roberto1776 disse:

    O Japão é um dos poucos países ainda não contaminados pelo islamismo. Praticamente não existem muçulmanos no Japão.
    Agora esses jovens idealistas se metem de pato a ganso com os muçulmanos.
    Lamentável.
    Essa é uma guerra da qual qualquer japonês deveria se manter afastado a qualquer custo para o Japão poder manter a sua neutralidade.

  3. André Luiz D. Queiroz disse:

    Seria maravilhoso se o Japão permanecesse eternamente pacifista, mas, sejamos realistas, não há como renunciar uso da força se seus inimigos potenciais não o fizerem também! Ao mesmo tempo, a Constituição japonesa de 1947 foi, na verdade, uma Constituição praticamente “outorgada” pelas Forças de Ocupação; até onde a renúncia constitucional à guerra enquanto direito soberano foi algo que tenha nascido do profundo sentimento do povo japonês?
    Há uma citação latina que exprime bem sobre isso: “Si vis pacem, para bellum” (Se queres paz, prepara-te para a guerra!)

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *