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Russia e o Estado Islâmico

Estado Islâmico recruta voluntários no Cáucaso

É possível que a Rússia não impeça a partida deles para lutar ao lado dos jihadistas

Estado Islâmico recruta voluntários no Cáucaso
O vilarejo de Gimry tem sido um símbolo do desafio ao governo russo e de apoio ao regime islâmico (Foto: Wikimedia)

Em outubro de 1832 soldados russos sitiaram o vilarejo de Gimry nas montanhas do Daguestão, com o objetivo de capturar Gazi-Muhammad, o primeiro imame do Imanato do Cáucaso, que havia se rebelado contra o império russo. Ele foi assassinado, mas seu sucessor, o imame Shamil, conseguiu fugir do cerco das baionetas russas. Desde então, Gimry tem sido um símbolo do desafio ao governo da Rússia e de apoio ao regime islâmico.

No outono de 2014 os soldados russos sitiaram mais uma vez o vilarejo para capturar Magomed Suleimanov, um nativo de Gimry que fora proclamado emir do Emirado do Cáucaso, um movimento separatista islâmico criado em 2007 e ligado à Al Qaeda. Os soldados invadiram um vilarejo vizinho, expulsaram os mil habitantes de suas casas e as saquearam. Suleimanov escapou, mas Gimry continua cercado pelas tropas russas; só os moradores têm acesso ao local.

No entanto, o Exército da Rússia está lutando uma guerra que pertence ao passado. Embora o governo russo ainda tente capturar Suleimanov, sua iniciativa separatista fracassou. “O Emirado do Cáucaso morreu”, disse Abdurakhim Magomedov, um líder idoso do movimento salafista ultraconservador do vilarejo de Novosasitli. “O emirado não foi eficiente.”

Mas o Emirado do Cáucaso foi substituído por um grupo islâmico ainda mais radical: o Estado Islâmico (EI). De acordo com estimativas de especialistas em segurança russos, 2 mil jovens da Chechênia e do Daguestão aderiram à causa do EI. Diversos comandantes do Emirado do Cáucaso na Chechênia e no Daguestão estão apoiando o líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi.

Formalmente, a Rússia apoia o governo do presidente da Síria, Bashar al-Assad, e considera que o grupo jihadista Estado Islâmico é uma organização ilegal. Há pouco tempo proibiu a participação de cidadãos russos em conflitos armados no exterior, com propósitos “opostos aos interesses da Federação Russa”. (É possível que essa medida do governo russo tenha tido a intenção de diferenciar os jihadistas que aderiram ao EI dos rebeldes do leste da Ucrânia.)

No entanto, para a Rússia a partida dos jihadistas talvez seja um fato positivo. A revolta no norte do Cáucaso diminuiu. As chances de os militantes do EI voltarem são pequenas; e a Rússia exerce um controle rígido de suas fronteiras. Mas na opinião de Akhmet Yarlykapov, um especialista em assuntos do Daguestão da Academia de Ciências da Rússia, essa tática é imediatista. A Rússia, na verdade, enfrenta uma grande ameaça do EI, que, há pouco tempo, reivindicou a posse do território do Cáucaso como uma de suas províncias.

Fontes:
Economist-Caucasian jihad

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