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Terror sem corrupção

Estado Islâmico usa o terror, mas não aceita propina

Organização terrorista expande seu califado e começa a desenvolver a capacidade de governar, criando leis e emitindo documentos em territórios ocupados

Estado Islâmico usa o terror, mas não aceita propina
Imagem destaca em vermelho a região controlada pelo Estado Islâmico. Especialistas não acham impossível a consolidação de um estado (Foto: Wikimedia)

O Estado Islâmico (Isis) usa o terror para forçar a obediência e assustar os inimigos. Eles têm expandido o território do califado, destruindo antiguidades, escravizando minorias, estuprando mulheres e transformando crianças em assassinos. No entanto, seus oficiais resistem à oferta de propina, segundo testemunhas e especialistas, de modo que a corrupção não os acomete como aos governos vizinhos da Síria e do Iraque, por exemplo.

“Você pode viajar de Raqqa para Mosul levando US$ 1 milhão e ninguém se atreveria a pará-lo. Ninguém se atreveria a tomar sequer um dólar”, disse ao New York Times um morador de Raqqa, capital do califado na Síria.

O Isis inicialmente funcionou somente como uma organização terrorista, mais sangrenta do que a famosa Al-Qaeda. Depois o grupo começou a ocupar territórios. Com a ocupação, seus líderes começaram a desenvolver a capacidade de governar, transformando-se em um Estado que usa a violência extrema como ferramenta de gestão. Para aqueles sob a tutela do Estado Islâmico, essa mudança está proporcionando relativa estabilidade em uma região assolada por guerras constantes e por governos corruptos, que também fazem uso da violência.

Enquanto ninguém prevê que o Isis possa se tornar administrador de um Estado funcional em um curto espaço de tempo, o grupo tem colocado em prática medidas de governança, como a emissão de documentos de identificação para os habitantes, regras para guiar pescadores de forma a preservar os recursos, exigência de kits de ferramentas para emergência nos carros, etc.

Estratégia terá de mudar

Essas mudanças devem fazer o Ocidente repensar a estratégia militar para combater o Estado Islâmico. De acordo com o professor de Assuntos Internacionais da John F. Kennedy School of Government de Havard, Stephen M. Walt, a organização terrorista precisa ser vista “como uma revolucionária organização de construção de um Estado”. Em seu artigo “O que devemos fazer se o Estado Islâmico vencer?”, Walt acredita que é possível uma vitória do Isis frente ao ataque americano, que não é de grande escala.

“Uma vitória do Estado islâmico significaria que o grupo manteve o poder nas áreas que agora controla e desafiou com sucesso os esforços externos para ‘degradar e destrui-lo’. Somente uma intervenção estrangeira de grande escala pode eliminar o Estado Islâmico de forma definitiva”, escreveu o professor, após quase um ano de bombardeios americanos na região do califado.

O ex-vice-diretor da CIA entre 2000 e 2004, John McLaughlin, acredita que é difícil imaginar o Isis se tornando um Estado legítimo, com passaportes e aeroportos em funcionamento, mas, segundo ele, “não é inconcebível”.

Fontes:
NY Times-ISIS Transforming Into Functioning State That Uses Terror as Tool

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