Tragédia provoca debate sobre a eficiência dos processos de licenciamento e fiscalização
Documentário é uma emocionante sinfonia de som e imagem
PP deve sacramentar o deputado Arthur Lira (PP-AL) no cargo
Obras no Rio se tornaram caso de polícia. E achar um culpado vai ser difícil. Ai se eu te pego!
Ahmadinejad sabe que as sanções têm objetivos imediatos, mas também de longo prazo
Programação no Rio sofre uma reviravolta após desabamento de prédios ao lado do Municipal
O cartão-postal de Manama é o World Trade Center, construído com três turbinas eólicas
Panela de pressão da política dos acertos partidários chega a seu ponto alto de fervura
Diretor alemão filma em seu país drama histórico com sotaque britânico
A Opinião Pública da semana é do Jayme Mello. Participe também!
Operação tem justificativa legal, mas é um fracasso do ponto de vista social e humano
O presidente Barack Obama completou neste dia 20 janeiro um ano de mandato. As expectativas há um ano eram enormes. Obama começou 2009 com 78% de aprovação e viu seu índice cair para 47% em menos de um ano. Foi uma das maiores quedas já registradas por presidentes norte-americanos em seu primeiro ano. O Opinião e Notícia selecionou sete erros do presidente que podem ter contribuído para esta queda e que devem trazer problemas para Obama nos próximos anos.
1. Guantánamo. A decisão de fechar a prisão na ilha foi comemorada internacionalmente, mas o presidente cometeu um grave erro ao declarar que ao fim de 2009 ela estaria completamente desativada. A transferência de prisioneiros se mostrou um trabalho mais complexo que se imaginava e muitos países não desejavam ter de volta seus cidadãos.
Ao final do ano, não só a prisão na ilha não fechou como o sistema de libertação/transferência dos prisioneiros provavelmente terá que ser revisto. Muitos deles estavam sendo enviados para países instáveis. O Iêmen, por exemplo, recebeu sete prisioneiros de Guantánamo. O Iêmen foi o país no qual foi treinado o terrorista Umar Farouk Abdulmutallab, responsável pela tentativa de explodir um avião vindo de Amsterdam em direção a Detroit, nos Estados Unidos, no Natal.
2. Guerra contra Fox News. Na mesma entrevista em que matou uma mosca com reflexos rápidos, Obama investiu contra um rival bem mais poderoso: a Fox News. “Existe um canal de televisão inteiramente dedicado a atacar o meu governo. Seria bem difícil encontrar uma única notícia positiva sobre mim no noticiário deles”, afirmou. Os assessores pioraram a polêmica criada pelo presidente. A diretora de comunicações da Casa Branca, Anita Dunn, chegou a afirmar que a Fox News opera como uma extensão do Partido Republicano, opositor do partido governista, e que o canal seria tratado como um adversário pelo governo. Membros da administração do presidente pararam de comparecer aos programas da Fox News e a empresa passou a ter seus jornalistas barrados nas coletivas de imprensa.
Obama foi comparado a dois presidentes norte-americanos, John Adams — o segundo a ocupar o cargo — que em uma jogada autoritária emitiu um ato suprimindo críticas ao governo, o Ato de Sedição. O outro foi Richard Nixon, que era conhecido por manter uma “lista de inimigos”, com o nome de comentaristas e jornalistas que não eram simpáticos a seu governo. Especialistas afirmaram que o presidente teria atentado contra a primeira emenda da constituição norte-americana, de liberdade de expressão. Quem agradece é Rupert Murdoch, dono da Fox News, que viu a audiência no canal bater recordes.
3. Envio de tropas para o Afeganistão. Ainda é cedo para saber se o envio de mais tropas para o Afeganistão foi a decisão correta, mas a forma como ela foi feita certamente foi um erro. O general norte-americano Stanley McCrystal, que comanda as tropas da OTAN no país, pediu que o presidente enviasse mais 40 mil soldados, ou encarasse uma “possível derrota”. Em discurso, Obama anunciou o envio de 30 mil soldados, mas cometeu o erro político de fixar um prazo de 18 meses para o início de seu retorno. O que se tentou fazer foi agradar o Partido Democrata e os cidadãos dando um prazo para o fim do conflito enquanto o presidente fazia o que achou ser necessário: enviar mais tropas para o Afeganistão.
O que Obama conseguiu foi colher a impopularidade resultante do envio de mais tropas enquanto era criticado por indecisão e por mandar mensagens contraditórias em seu discurso. Segundo o presidente, as tropas deverão começar a retornar ao fim de 2011. Tudo indica que este, assim como Guantánamo, será um prazo não cumprido. McCrystal não parece acreditar na data. O general não vê ainda início do fim do conflito. Citando Winston Churchill, McCrystal foi mais realista: “este é o fim do início”.
4. Eleições no Afeganistão. John Dempsey, chefe do Instituto Norte-Americano de Paz em Kabul, afirmou em janeiro de 2009 que Obama “não vai apoiar cegamente o presidente Hamid Karzai como o governo Bush fez por tanto tempo”. Durante sua campanha, Obama criticou presidente afegão por seu governo corrupto e leniente com o tráfico de drogas crescente no país. A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, definiu o governo de Karzai como uma “cleptocracia.” Existia forte especulação de que o presidente Obama tentaria forçar a saída de Karzai.
O que aconteceu foi exatamente o inverso. Os partidários do presidente afegão fraudaram as eleições do país. Quando a fraude se tornou irrefutável, a comunidade internacional obrigou Karzai a convocar um segundo turno, mas seu oponente desistiu de participar da corrida presidencial. Obama se viu forçado, junto com a ONU, a reconhecer Karzai como vitorioso, mesmo ele não tendo conseguido metade dos votos válidos. O presidente – que se elegeu com a promessa de mudanças – teve se resignar com um telefonema para Karzai, congratulando-o pela vitória e pedindo para que o presidente afegão “inicie um novo capítulo” na legitimação de seu governo.
5. Obama na Ásia. No dia 13 de novembro o presidente fez sua primeira viagem pela Ásia, começando pelo Japão. As críticas de que ele teria se curvado demais para o imperador japonês são exageradas — foi mera cortesia — mas a forma como Obama se curvou diante da China, este sim foi um erro. Obama aceitou condições nunca antes feitas a um presidente norte-americano em visita ao país.
Obama não se encontrou com o líder tibetano Dalai Lama. O presidente não pressionou o governo chinês sobre a sua política de desvalorização do yuan ou sobre os mísseis apontados para Taiwan, o que era esperado. Chegou a falar sobre a questão de liberdade de informações e direitos humanos, em uma reunião com estudantes de Shangai, que, ironicamente, teve sua transmissão censurada no país. O presidente e o primeiro-ministro chinês, Hu Jintao, estiveram em uma reunião conjunta com repórteres, mas a China não permitiu que a imprensa fizesse perguntas.
Se compararmos com a visita de Bill Clinton, em 1998, a diferença é gritante. Clinton também falou com estudantes, mas falou o que quis com transmissão para todo o mundo. No caso de Obama, os “estudantes” eram ligados ao partido comunista e foram treinados sobre quais perguntas deveriam fazer ao presidente. O ex-presidente conversou à vontade com repórteres, ao contrário de Obama. A análise da revista inglesa The Economist foi que as precauções da China mostram que o governo do país teme os direitos que os Estados Unidos simbolizam, mas que Obama se mostrou fraco ao não defender com mais veemência.
6. Protecionismo. “Vandalismo econômico”. Este foi o título do editorial da revista Economist ao se pronunciar sobre a decisão de Obama de colocar tarifas contra a importação de pneus vindos da China. O governo, sabendo que a decisão iria receber críticas, escolheu a sexta-feira do dia 11 de setembro às 21h para fazer o anúncio. Não funcionou. O Wall Street Journal lembrou que o presidente assinou diversas declarações junto com os membros do G20 afirmando que um dos maiores perigos para a recuperação econômica mundial é o retorno de medidas protecionistas. Na ocasião, o ministro de Comércio chinês, Chen Deming, afirmou que se tratava de uma violação das regras da Organização Mundial do Comércio e de compromissos que o governo norte-americano fez em reuniões do G20.
Como apontado pelo New York Times, o presidente recorreu a uma seção nunca usada do código norte-americano de leis de comércio. Pior, o presidente usou a lei contra o que se tratava de uma competição legítima, e não desleal. As tarifas impostas não foram só atacadas pela imprensa por serem politicamente irresponsáveis, elas também são ineficientes. A principal razão para os pneus chineses serem mais baratos é sua grande oferta de mão-de-obra. Ao aumentar o preço do produto em 35%, os fabricantes de carros simplesmente passarão a importar do Brasil ou Índia, que segundo a Economist fabrica pneus que são mais baratos que os norte-americanos. Obama também perdeu a liderança em conversas sobre livre-comércio, tudo em nome de um sindicato de fabricantes de pneus que não representa a maioria que trabalha no setor, mas que apoiou o presidente na campanha de 2008.
7. Impostos para classe média. Se existe algo que os cidadãos norte-americanos são conhecidos por detestar são impostos. Desde a Festa do Chá de Boston a rejeição a impostos altos faz parte da cultura do país. Em campanha, Obama prometeu que não aumentaria impostos sobre a renda de famílias de classe média (até US$ 250 mil por ano). Embora tenha sido aplaudida na época, a promessa está se tornando uma dor de cabeça para o presidente, que aumentou gastos e endividamento e precisa pagar de alguma forma por isto.
Durante todo o ano de 2009 o presidente teve que reiterar sua promessa de não aumentar impostos, enquanto o déficit público também aumentava. Um aumento de impostos sobre cigarros foi motivo de polêmica, pois teoricamente seria um aumento afetando a classe média. Normalmente um imposto como este não chamaria a menor atenção. Embora Obama tecnicamente ainda não tenha quebrado sua promessa (o imposto sobre cigarro não discrimina renda), analistas acreditam que é só questão de tempo até que ele o faça. James Pethokoukis, comentarista político e econômico da Reuters, afirmou que a promessa de Obama é tratada como “piada” nos círculos políticos. O jornal New York Times concorda que a situação de endividamento e gastos crescentes não pode conviver com impostos baixos, mas o presidente parece determinado a levar esta impossibilidade econômica o mais longe possível.
Caro leitor,
Esquecemos algum erro?
E os acertos do presidente?
Comente abaixo!
Leia mais: