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Revolução do xisto

Estados Unidos ultrapassam o poder da OPEP

O centro do mundo do petróleo agora se encontra no Texas e na Dakota do Norte. Mas, a independência energética não acabou com a necessidade de intervenção dos Estados Unidos no Oriente Médio

Estados Unidos ultrapassam o poder da OPEP
As amplas reservas dos Estados Unidos, nos últimos anos, protegeu a economia americana (Reprodução/Wikipedia)

Durante a maior parte do século passado, os preços do petróleo oscilaram como um pêndulo, aumentando e diminuindo as fortunas de nações. Na maior parte das vezes, os estoques globais da commodity volátil foram controlados por governantes sauditas, que de outra forma não teriam poder a não ser pelo petróleo.

Esse pêndulo está em movimento novamente, derrubando o preço do petróleo para menos de US$ 45 dólares, de mais de US$ 100 por barril em junho passado, valor que ainda pode cair mais nos próximos meses. Isto pode parecer como uma história que está se repetindo, mas há uma diferença vital neste momento: o centro do mundo do petróleo tem saído das areias da Arábia Saudita para os campos de petróleo de xisto de Texas e Dakota do Norte.

Ou seja, os Estados Unidos estão ultrapassando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) como o produtor mundial vital que determina os preços. Essa notável mudança vem acontecendo desde 2008, já que campos de xisto americanos são responsáveis por cerca de metade do crescimento da produção de petróleo do mundo. A produção de petróleo americana quase dobrou. Além disso, os métodos de produção de xisto provaram ser altamente adaptáveis às condições de mercado.

Não é a toa que quase todas as vantagens do balanço do preço estão se movendo na direção de Washington. A maioria dos consumidores e indústrias americanas se beneficiou de uma queda acentuada nos preços da gasolina e de outros custos de energia. Enquanto isso, no exterior, as economias dos produtores de petróleo adversários, como a Rússia e a Venezuela, estão se enrolando.

Rene G. Ortiz, um ex-ministro do petróleo do Equador, que também já atuou como secretário-geral da Opep, observou que recentemente, em 2008 e 2009, na última vez que os preços do petróleo caíram, a Opep cortou a produção de petróleo em quatro milhões de barris por dia para sustentar os preços, e o movimento estabilizou o mercado em um tempo relativamente curto.

“Por que a Arábia Saudita não pensa que isso poderia funcionar novamente nos dias de hoje?”, perguntou Ortiz. “Por causa do aumento da produção dos EUA. A Opep de hoje está pensando sobre os fundamentos do mercado, em vez de manipulá-lo, porque a organização não tem mais o mesmo poder que já teve um dia. ”

 

 

Fontes:
The New York Times-New Balance of Power

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