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Nó diplomático

Estratégia dos EUA no Iraque depende cada vez mais do Irã

Israel pode não gostar, mas é preciso assumir que o Irã vai carregar um grande peso na estratégia americana de combate ao Estado Islâmico

Estratégia dos EUA no Iraque depende cada vez mais do Irã
Obama está ficando cada vez mais dependente nos combatentes iranianos, já que ele tenta conter o Estado Islâmico, no Iraque e na Síria (Reprodução/Kevin Lamarque/Reuters)

Dois dias depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fazer um discurso no Congresso americano para criticar o presidente Barack Obama por negociar com o Irã, seu arquirrival, um acordo nuclear, o site do jornal americano New York Times traz em sua manchete uma análise sobre um grave paradoxo enfrentado por Obama em sua relação com o Irã: “Obama está ficando cada vez mais dependente nos combatentes iranianos para conter o Estado Islâmico, no Iraque e na Síria, sem comprometer as tropas terrestres americanas”, diz o jornal.

Nos quatro dias desde que as tropas iranianas se juntaram a 30 mil militares das forças iraquianas para tentar tirar Tikrit, a cidade natal de Saddam Hussein, do controle do Estado Islâmico, as autoridades americanas tentaram garantir à opinião pública que os Estados Unidos não estão coordenando uma ofensiva com o Irã, um dos seus inimigos globais, na luta contra um inimigo comum.

No entanto, os americanos envolvidos na ofensiva no Iraque têm monitorado de perto a guerra paralela do Irã contra o Estado Islâmico através de uma série de canais, incluindo conversas por radiofrequências, que cada lado sabe que o outro está acompanhando. E os dois grupos militares frequentemente procuram evitar conflitos em suas atividades, usando os centros de comando iraquianos como um intermediário. Ou seja, de acordo com o New York Times, na prática, EUA e Irã estão coordenando seus esforços de combate ao terror no Iraque, embora no papel, nem sequer mantenham relações diplomáticas.

“A única maneira que a administração do Obama pode manter sua estratégia é assumindo implicitamente que os iranianos vão carregar o maior peso e ganhar as batalhas em terra”, disse Vali R. Nasr, um ex-assessor especial do Obama, que agora é diretor da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins. “A estratégia dos EUA no Iraque tem sido bem sucedida até agora, em grande parte por causa do Irã”.

Nesta semana, os legisladores americanos avisaram que a influência do Irã no Iraque pode aumentar com a ofensiva em Tikrit.

Rafid Jaboori, o porta-voz do primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, fez uma comparação com a Segunda Guerra Mundial. “Países com diferentes ideologias, diferentes prioridades, diferentes sistemas de governo, cooperaram para derrotar os nazistas”, disse. “É previsível vermos países, que podem não se dar muito bem em termos de relações bilaterais, trabalharem para ajudar o Iraque a derrotar esta ameaça.

 

 

Fontes:
The New York Times-U.S. Strategy in Iraq Increasingly Relies on Iran

2 Opiniões

  1. Vitafer disse:

    Se ficar, o bicho come, se correr, o bicho pega.

  2. jayme endebo disse:

    Para derrotar o Isis, Obama vai fortalecer a ditadura dos aiatolás? e quando derrotar o Isis o que será do Irã? um país que financia o terror e que terá armas nucleares? Obama é um irresponsável tal qual foi o Jimmy Carter quando deixou estes bandidos tomarem o poder na Pérsia. Naquela administração os iranianos invadiram a embaixada americana e fizeram reféns durante 444 dias, serão estes mesmo a cumprirem algum acordo? quem invade embaixada – que é território soberano – vai cumprir algum acordo?
    Infantil, irresponsável ou conivente e a História vai te condenar pelos seus atos.

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