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Evolução Tecnológica

Estudo sugere que instrumentos evoluem por meio da seleção natural

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology, em colaboração com um fabricante de violinos, fizeram um estudo sobre a evolução do instrumento

Estudo sugere que instrumentos evoluem por meio da seleção natural
Ao longo dos anos as aberturas acústicas, ou “efes” no corpo do violino, que propagam o som mudaram de forma (Reprodução/AP)

A evolução biológica é um processo de mutação aleatória e seleção natural. A evolução tecnológica também é um processo seletivo. Os produtos preferidos dos consumidores são os que se reproduzem. Mas como a tecnologia é o resultado de um projeto consciente, a parte de mutação do processo é proposital e não aleatória. No entanto, um estudo recém-publicado em Proceedings of the Royal Society sugeriu que nem sempre a mutação obedece a um critério racional. Nicholas Makris e seus colegas do Massachusetts Institute of Technology, em colaboração com Roman Barnas, um fabricante de violinos da North Bennet Street School, em Boston, fizeram um estudo sobre a evolução desse instrumento.

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É possível que o mercado tenha privilegiado os artífices que fabricavam instrumentos com um som mais possante (Reprodução/Economist)

Um aspecto dessa evolução intrigou em especial os pesquisadores; ao longo dos anos as aberturas acústicas, ou “efes” no corpo do violino, que propagam o som mudaram de forma. Os violinos mais antigos na Europa datam do século X. Eles eram chamados de “fiteles”, uma palavra originária do latim vitula, vitela, cujas tripas eram usadas para fabricar as cordas. (A palavra latina deu origem por fim à palavra “violino”; e no processo de evolução linguística “fiteles” originou “rabeca” também com uma conotação biológica). No estudo da transição do fitele do século X ao violino do século XVIII, Makris e seus colegas observaram que os efes na parte de cima da caixa acústica evoluíram de simples círculos às formas em “f” mais complexas e alongadas dos instrumentos atuais. Os pesquisadores descreveram como as formas variaram ao longo dos séculos e a influência delas na sonoridade do instrumento.

Entretanto, Makris tem dúvida se “projeto” é a palavra correta a ser usada no contexto do processo evolutivo, porque projeto implica objetivo. Mas sua análise de 470 instrumentos fabricados em Cremona de 1560 a 1750 sugeriu que a mudança foi gradual e racional. Na opinião de Makris, as variações aleatórias das técnicas dos artesãos produziram instrumentos de diferentes sonoridades. É possível que o mercado tenha privilegiado os artífices que fabricavam instrumentos com um som mais possante. Quando os artesãos atingiam a posição de mestres, eles transmitiam suas técnicas aos aprendizes. Só no final desse período houve uma mudança proposital na evolução das formas mais alongadas das aberturas acústicas.

Mas, curiosamente, as tentativas intencionais no século XIX de fabricar violinos com as aberturas em forma de “f” ainda mais alongadas não foram bem-sucedidas e logo essa tendência desapareceu. Assim como os organismos vivos, a mutação e a seleção natural haviam atingido um resultado ideal.

Fontes:
Economist-Making sweet music

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