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PROTESTOS VIOLENTOS

Etiópia declara estado de emergência após onda de protestos

Governo afirma que medida, que será aplicada por seis meses no país, deve estabelecer a ordem no país. Egito e Eritreia são acusadas de apoiar manifestantes

Etiópia declara estado de emergência após onda de protestos
O governo etíope acusou a Eritreia e o Egito de apoiarem a Frente de Libertação Oromo (Foto: Wikimedia)

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O governo da Etiópia declarou estado de emergência no último domingo, 9, após quase um ano de protestos contra a repressão do governo à etnia Oromo. O país tem convivido com uma onda de violência que vem provocando a morte de centenas de manifestantes e gerando um clima de instabilidade. De acordo com um comunicado oficial, a medida terá efeito imediato para os próximos seis meses. Segundo a mídia local, é a primeira vez que o estado de emergência é declarado no país em 25 anos.

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“O estado de emergência foi declarado após um profundo debate no Conselho de Ministros sobre as mortes e os danos aos bens ocorridos no país”, declarou o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn. Ele ainda indicou que o governo adotará uma posição mais rígida diante das manifestações.

Um dia após anunciar o estado de emergência, o governo etíope acusou a Eritreia e o Egito de apoiarem a Frente de Libertação Oromo (OLF), grupo armado de oposição que lidera os protestos e que o governo classifica como terrorista. “Há países que estão diretamente envolvidos com o armamento, financiamento e treinamento desses elementos”, afirma Getachew Reda, um porta-voz do governo.

Reda acredita que uma disputa na fronteira com a Eritreia e outra sobre a partilha da água do rio Nilo com o Egito tenham motivado o apoio desses países ao grupo de oposição ao governo etíope. No entanto, o porta-voz não acredita que o apoio tenha vindo diretamente do governo desses países.

“Devemos ter muito cuidado para não culpar necessariamente um governo ou outro. Há diversos tipos de elementos no sistema político egípcio que podem ou não estar diretamente ligados com o governo egípcio”, disse Reda. Ambos os países negam qualquer tipo de interferência na Etiópia.

Manifestações nas Olimpíadas

Os protestos na Etiópia ganharam repercussão durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro. O maratonista olímpico Feyisa Lilesa e o velocista paralímpico Tamiru Demisse fizeram um gesto de apoio aos manifestantes na Etiópia, após cruzarem a linha de chegada.

Os grupos étnicos Oromo e Amhara, maioria no país, protestam contra um plano de reurbanização do governo que prevê mudanças e realocações em várias regiões no entorno da capital Addis Ababa. Esses grupos afirmam serem marginalizados pelo governo da minoria Tigré, que eles acusam de monopolizar o poder e controlar a economia.

Ativistas de grupos de direitos humanos afirmam que os confrontos violentos entre manifestantes e policiais provocaram mais de 500 mortes no país desde o início dos protestos em novembro do ano passado.

Fontes:
Al Jazeera-Ethiopia blames 'foreign enemies' for stoking unrest
Daily Mail-Ethiopia blames foreign groups for stoking unrest
G1-Etiópia declara estado de emergência após protestos violentos

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