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Etiópia entra no sétimo mês de estado de emergência

País declarou emergência em outubro do ano passado por conta dos protestos civis. Apesar da relativa estabilidade atual, governo prorrogou medida por mais quatro meses

Etiópia entra no sétimo mês de estado de emergência
Progresso econômico não é suficiente para reprimir a revolta contra o regime autocrático e o desemprego (Foto: Flickr/Gadaa)

As três horas de viagem de ônibus de Adis Abeba, capital da Etiópia, para Ambo mostram a prosperidade do país. A estrada está bem pavimentada; as fazendas têm valas de irrigação e estufas de polietileno; os postes de eletricidade estendem-se pelas colinas arborizadas. O sinal de acesso à internet móvel é nítido e constante.

Mas há sinais, também, de turbulência política. Um caminhão do exército passa pela rua principal de Ambo. A polícia federal cerca a entrada da universidade local. Jovens desempregados jogando sinuca apontam para um prédio do outro lado da rua: era um banco, mas foi incendiado. Há três anos, 17 rapazes foram mortos a tiros pelos seguranças quando protestavam na porta, dizem os jovens.

Ambo tem uma reputação de ser um local de dissidência política. Em 2014, os primeiros protestos contra o regime autoritário começaram em suas ruas. Em razão dos protestos o governo decretou estado de emergência de seis meses em 9 de outubro do ano passado. Mas em 30 de março, apesar da relativa estabilidade política do país, o partido Frente Democrática Revolucionária Popular da Etiópia (EPRDF) prorrogou o estado de emergência por mais quatro meses.

O crescimento econômico tem sido uma prioridade do governo. A economia está crescendo a 7% ao ano, uma das taxas mais altas da África, embora a seca tenha, mais uma vez, atingido grande parte do país. O investimento estrangeiro continua a fluir com regularidade. Porém, esse progresso econômico não é suficiente para reprimir a revolta dos jovens contra o regime autocrático e as elevadas taxas de desemprego. Sem liberdade política, a base da legitimidade do governo é o cumprimento da promessa de proporcionar prosperidade a todos os seus cidadãos.

Fontes:
The Economist-Ethiopia enters its seventh month of emergency rule

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