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FLUXO MIGRATÓRIO

EUA cortam parte dos serviços para crianças migrantes em abrigos

Aulas de inglês, assessoria jurídica, esporte e lazer estão sendo cortados de abrigos por falta de verba

EUA cortam parte dos serviços para crianças migrantes em abrigos
Estima-se que cerca de 13,2 mil crianças migrantes estejam sob os cuidados dos EUA (Foto: U.S. Dept. of Health & Human Services/Flickr)

O governo dos Estados Unidos está cortando uma gama de serviços prestados por abrigos onde se encontram detidas crianças imigrantes. As informações foram reveladas na última quarta-feira, 5, pelo jornal Washington Post, que teve acesso a um e-mail enviado aos abrigos no último dia 30 de maio.

Estima-se que cerca de 13,2 mil crianças migrantes estejam atualmente em abrigos americanos. Apenas no mês de maio, os Estados Unidos apreenderam 11,5 mil crianças desacompanhadas nas fronteiras – um aumento de 29% se comparado com o mês de abril.

As autoridades responsáveis pelos abrigos – o Escritório de Reassentamento de Refugiados, que responde ao Departamento de Serviços Humanos e de Saúde (HHS, em inglês) – afirmam ao Congresso há meses que o orçamento está apertado. Segundo Mark Weber, porta-voz do HHS, o programa de abrigos ficará sem dinheiro no fim de junho.

Dessa forma, o principal motivo para o corte de parte de serviços seria o orçamento enxuto. Os serviços que devem ser cortados são as aulas de inglês, assessoria jurídica, esporte e lazer. Recentemente, as autoridades pediram ao Congresso a liberação de US$ 2,9 bilhões emergenciais para manter os serviços de assistência nos abrigos.

“Como dissemos, temos uma crise humanitária na fronteira trazida por um sistema de imigração que está colocando uma tremenda pressão no Escritório de Reassentamento de Refugiados e no seu programa de Crianças Alienadas Desacompanhadas”, destacou Weber, explicando que os serviços cortados não são “diretamente necessários para a proteção da vida e segurança”.

A prestação dos serviços em abrigos americanos é feita por ONGs e empresas privadas contratadas. Os prestadores adiantam o pagamento aos funcionários e possíveis gastos auxiliares, como equipamentos, sendo reembolsados pelas autoridades americanas. No entanto, de acordo com o e-mail, os serviços retroativos até o dia 22 de maio não serão reembolsados.

A oposição ao governo de Donald Trump teme que essa seja mais uma forma das autoridades americanas de pressionarem o Congresso para garantir a agenda anti-imigração do presidente. Recentemente, Trump anunciou a imposição, que deve ocorrer na próxima semana, de novas tarifas aos produtos mexicanos. Antes disso, desde a sua corrida eleitoral, o presidente tenta garantir a construção de um muro na fronteira para conter o fluxo migratório.

Diferentes entidades de defesa dos direitos humanos, proteção às crianças e políticos democratas dos Estados Unidos criticaram o possível corte de serviços nos abrigos para migrantes. Denise Bell, pesquisadora dos direitos dos refugiados e imigrantes da Anistia Internacional dos Estados Unidos, classificou o corte como “cruéis”.

“Já é ruim o suficiente que a administração Trump esteja tentando normalizar o encarceramento de crianças. É inconcebível que eles tentem tão descaradamente privá-los de seus direitos. Encarcerar as crianças e, em seguida, negar-lhes assistência jurídica, educação e até brincadeiras, tudo faz parte dos cruéis esforços desta administração para desumanizar as pessoas que vieram para os Estados Unidos em busca de segurança. Os direitos humanos das crianças devem ser protegidos, garantindo que eles recebam os devidos cuidados enquanto estiverem sob custódia do governo e sejam libertados assim que possível”, afirmou a pesquisadora.

Os abrigos de crianças e adolescentes são constantemente criticados pelas entidades. Até o fim do mês de maio, pelo menos seis menores de idade já tinham morrido sob custódia dos Estados Unidos. Os óbitos representam a falência do “sonho americano”, que atrai centenas de milhares de pessoas das Américas Central e do Sul, de países como a Guatemala, em busca de uma condição de vida melhor e segurança para os filhos.

Leia também: Como uma criança de sete anos morre sob custódia dos EUA

Fontes:
The Washington Post-Trump administration cancels English classes, soccer, legal aid for unaccompanied child migrants in U.S. shelters
DW-EUA cortam serviços para crianças migrantes em abrigos

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1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Sem o MURO não há solução para esse tipo de problema.

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