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DESAPARECIMENTO DE JORNALISTA

EUA dão voto de confiança à Arábia Saudita

Trump adota uma postura menos crítica que a inicial e destaca a presunção da inocência saudita no caso Khashoggi

EUA dão voto de confiança à Arábia Saudita
Trump entrou em contato com autoridades sauditas na última terça (Foto: Joyce N. Boghosian/White House)

O governo dos Estados Unidos adotou uma postura menos crítica em relação ao envolvimento da Arábia Saudita, seu principal parceiro no Oriente Médio, no desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, que foi visto pela última vez no dia 2 de outubro, após entrar no consulado saudita em Istambul. Na noite da última terça-feira, 16, o presidente americano, Donald Trump, destacou que os governantes sauditas têm direito à presunção de inocência.

“Aqui vamos nós outra vez com o ‘você é culpado até que se prove o contrário’. Não gosto disso”, afirmou o presidente americano em entrevista à agência Associated Press. Para defender a presunção de inocência, Trump citou as acusações de assédio sofridas pelo agora juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, Brett Kavanaugh.

Jamal Khashoggi desapareceu no último dia 2 de outubro. A última imagem mostra que o jornalista entrou no consulado da Arábia Saudita, em Istambul, na Turquia, e não saiu do prédio. As linhas de investigação apontam para o assassinato de Khashoggi e um possível envolvimento do governo saudita.

Na última terça-feira, 16, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, foi a Riad, capital saudita, para se encontrar com o rei Salman bin Abdulaziz, com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, e com o ministro das Relações Exteriores do país, Adel al-Jubeir. Ao fim do diálogo, Trump entrou em contato, por telefone, com as autoridades sauditas. Pelas redes sociais, o presidente americano destacou que vai ocorrer “uma investigação completa sobre este assunto”.

“Acabei de falar com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, que negou totalmente qualquer conhecimento do que aconteceu no seu consulado turco. Ele estava com o secretário de Estado Mike Pompeo durante a chamada, e me disse que ele já começou, e expandirá rapidamente, uma investigação completa sobre este assunto. As respostas serão publicadas em breve”, escreveu Trump nas redes sociais.

Enquanto isso, Mike Pompeo seguiu a mesma linha de posicionamento do presidente americano. Através de um comunicado, o secretário de Estado afirmou que teve “conversas diretas e francas” e destacou a importância de uma investigação completa sobre o desaparecimento do jornalista.

“Durante cada uma das reuniões de hoje, a liderança saudita negou veementemente qualquer conhecimento do que aconteceu em seu consulado em Istambul. Minha avaliação dessas reuniões é que há um sério compromisso em determinar todos os fatos e garantir a responsabilidade, inclusive a responsabilidade pelos líderes seniores ou altos funcionários da Arábia Saudita”, escreveu Pompeo.

Viagem à Turquia

Nesta quarta-feira, 17, Mike Pompeo chegou à Turquia, onde se encontra com o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan. As autoridades turcas têm apontado uma postura muito mais crítica em relação à Arábia Saudita do que o novo posicionamento dos Estados Unidos. Autoridades turcas já afirmaram que as investigações apontam para o assassinato de Khashoggi durante um interrogatório no consulado.

De acordo com um comunicado do Departamento de Estado, Mike Pompeo vai se reunir com autoridades turcas para “reiterar a oferta dos EUA de ajudar a Turquia em sua investigação”. As buscas turcas, porém, parecem estar adiantadas.

Nas última segunda-feira, 15, e terça-feira, as autoridades da Turquia fizeram longas buscas no consulado da Arábia Saudita em Istambul. Também estava previsto que as investigações se estendessem até a casa do cônsul saudita em Istambul, Mohammad Al Otaibi, mas a medida foi suspensa. Uma fonte de segurança turca afirmou que o cônsul, apesar de não ter sido ordenado a deixar a Turquia, retornou a Riad.

A inspeção na casa do cônsul só passou a ser realizada nesta quarta-feira, após autoridades turcas e sauditas chegarem a um acordo. De acordo com um jornal turco, segundo noticiou a Agência Brasil, o cônsul viajou para a Turquia na última terça-feira para ser destituído do cargo.

Possível decapitação

O jornal turco Yeni Safak revelou que teve acesso a um suposto áudio do momento da morte do jornalista, que teria ocorrido dentro do consulado saudita em Istambul. Na gravação teriam provas de que Khashoggi teria sido torturado antes de ser decapitado, segundo noticiou o portal G1.

O cônsul saudita teria solicitado que os envolvidos fizesse “isto lá fora”, pois eles iriam “causar problemas”. Em resposta, um dos homens, que não foi identificado, teria ameaçado Mohammad Al Otaibi: “Se você quiser continuar vivo quando voltar à Arábia Saudita, fique quieto”, afirmou.

 

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Fontes:
The New York Times-Trump Jumps to the Defense of Saudi Arabia in Khashoggi Case
DW-Trump defende Arábia Saudita no caso Khashoggi

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