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ISOLAMENTO DO CATAR

EUA deixam de ser a força estabilizadora do Oriente Médio

O apoio de Trump ao bloqueio ao Catar pode agravar tensões regionais e afetar a credibilidade dos EUA frente a antigos aliados árabes

EUA deixam de ser a força estabilizadora do Oriente Médio
Catar é um aliado-chave dos EUA e local da maior base aérea americana na região (Foto: Flickr)

O encontro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o rei Salman da Arábia Saudita no mês passado foi tão cordial, que Trump aderiu às metas da política externa do monarca saudita. A Arábia Saudita sunita detesta o Irã, uma teocracia xiita e seu principal rival regional. O mesmo acontece com Donald Trump. Ele também compartilha a visão saudita que o financiador do terrorismo no Oriente Médio é o pequeno emirado de Catar.

Em 5 de junho, a Arábia Saudita, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos romperam as relações diplomáticas com o Catar e fecharam as conexões marítimas, aéreas e terrestres com o emirado. Os países do Golfo Pérsico deram um prazo de 14 dias para que os cidadãos de Catar se retirassem de seus territórios. O governo dos Emirados Árabes Unidos, ainda mais enfático, declarou que qualquer pessoa que manifestasse apoio ao Catar poderia ser condenada a uma sentença de prisão de até 15 anos. Entusiasmado, Trump tuitou: “Talvez seja o começo do fim do terrorismo!”

Embora seja um emirado pequeno, Catar é um dos países mais ricos da região. É o maior produtor mundial de gás natural liquefeito do mundo e um centro importante de conexões de voos internacionais. A emissora de televisão de Catar, Al Jazeera, é o que mais se aproxima de um meio de comunicação sem censura no Oriente Médio, desde que não critique a monarquia. O emirado mantém boas relações com o Irã, com o qual explora um grande campo de gás. Além disso, apoia a Irmandade Muçulmana, um grupo político e religioso de orientação sunita, que atua em diversos países do Oriente Médio, Ásia e África.

A ruptura das relações diplomáticas e o bloqueio das fronteiras dividiram as opiniões dos membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), um órgão importante para manter a frágil estabilidade na região. Essa cisão pode aproximar o Kuwait e Omã, dois membros do CCG que se recusaram a apoiar o movimento saudita, ao Irã, com sérias consequências para o equilíbrio de poder entre os países do Golfo.

O apoio de Trump à política externa da Arábia Saudita, do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos de bloqueio a Catar, um aliado-chave dos EUA e local da maior base aérea americana no Oriente Médio, pode não só agravar as tensões regionais, como também prejudicar a credibilidade do país perante os compromissos assumidos com seus antigos aliados árabes. 

Fontes:
The Economist-America is no longer a force for stability in the Gulf

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2 Opiniões

  1. JAYME MELLO disse:

    Como diz o Zeca Pagodinho: “brincadeira tem hora”

    O performático foi eleito, conforme as leis existentes lá e, que em muito, diferem das nossas leis eleitorais. E, ele, o eleito, representa o outro viés do pensamento político deles, o qual, (Republicanos) é extremamente representativo e, sob os aspectos de representatividade eleitoral, se equivale aos democratas.

    E, os eleitores que votaram nele, preferiram a não permanência e/ou repetição dos monumentais equívocos, da sua adversária quando foi a principal mandaria da política externa, com o cargo de Secretária de Estado.

    Assim o pleito, por ele, vencido não foi necessariamente, pela sua plataforma, ao inverso, foi o desencanto dos eleitores, perante a concorrente dele.

    Diferentemente, de outros países, lá a democracia é equânime e, ambos os direcionamentos partidários e, tratando-se de política interna, naturalmente, são por excelência, avessos a qualquer mudança de rumo, ou desventuras, aliás, coisas usuais de imberbes democracias.

  2. Markut disse:

    Não deve demorar muito o empeachment desse psicopata ,autocrata, grosseiro e ignorante, eleito , não por maioria, mas fruto de um complicado processo eleitoral, que, no fundo, representou a vontade de uma classe de eleitor ,que se considera vítima do inevitável avanço da robotização, que dispensa o trabalhador de baixa escolaridade.
    O baixo nível de desemprego atual nos EEUU, talvez acabe corroborando essa hipótese.
    Se, por acaso, estivermos testemunhando o ocaso do império da vez, não será para tão já.
    Até lá, esperemos que a força da democracia americana, mesmo imperfeita, deverá ter recursos para dispensar esse energúmeno.

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