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Surto na África

EUA enviarão missão humanitária à África para combater o Ebola

Apesar do anúncio, o mundo está agindo muito lentamente para conter um surto assustador

EUA enviarão missão humanitária à África para combater o Ebola
A resposta dos EUA é a primeira de um governo em grande escala (Reprodução/Internet)

O mundo permaneceu ocioso por meses enquanto uma epidemia de Ebola se alastrava rapidamente desde as selvas remotas da Guiné para as favelas da Libéria e além. Em 16 de setembro isso mudou. O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou a maior missão humanitária das Forças Armadas dos Estados Unidos para combater uma doença infecciosa. Dizendo que a epidemia “não é apenas uma ameaça para a segurança regional, mas uma ameaça potencial para a segurança global se esses países falirem”, o presidente americano prometeu enviar cerca de 3 mil soldados para estabelecer centros de tratamento com 1.700 leitos e treinar profissionais da saúde locais.

O envio de tropas para a África Ocidental pode parecer uma prioridade estranha quando as forças americanas estão se preparando para enfrentar os jihadistas no Iraque e na Síria. A Ebola é uma doença que geralmente não acomete populações humanas, foi rapidamente erradicada no passado e no seu pior surto até agora causou 3 mil mortes. Além disso, é pouco provável que a doença se espalhe amplamente em países ricos com bons sistemas de saúde. Comparado a outras doenças infecciosas, como o HIV, o vírus que mata cerca de 1,6 milhão de pessoas por ano, ou a tuberculose , que mata 1,3 milhão, a luta contra o Ebola na África pode parecer uma má alocação de recursos.

No entanto, o Ebola está se espalhando rapidamente. O número de novos casos praticamente dobra a cada três semanas ou mais. Na Monróvia, capital da Libéria, acredita-se que o número de infectados dobre a cada duas semanas. Há um risco real de a doença se espalhar para cidades como Lagos, onde vivem mais de 10 milhões de pessoas. Quanto mais tempo o Ebola replicar em humanos, maior é o risco de que a doença se tornará mais contagiosa. Alguns virologistas temem que ela possa até adquirir a capacidade de ser transmitida através do ar por tosses e espirros. Embora isso pareça improvável, ninguém quer descobrir o quão rapidamente o Ebola pode adaptar-se aos hospedeiros humanos.

A resposta dos EUA é a primeira de um governo em grande escala. Até agora, o tratamento tem ficado a cargo de instituições de caridade, como a organização Médicos Sem Fronteiras, que tem 2 mil funcionários nos países afetados. O grande compromisso dos EUA, no entanto, pode não ser suficiente para erradicar a epidemia na Libéria, o país mais afetado. Quando os soldados americanos chegarem, a situação pode ter se tornado muito pior.

Número de pessoas infectadas pode aumentar

Segundo especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Imperial College de Londres, a epidemia de ebola pode ultrapassar a barreira dos 20 mil casos ainda no início de novembro. Até então, imaginava-se que a marca só seria alcançada em fevereiro do ano que vem. Se a situação atual continuar, 9.939 estarão infectados na Libéria, 5.925 na Guiné e 5.063 em Serra Leoa, de acordo com as projeções publicadas na revista New England Journal of Medicine.


 

Fontes:
The Economist-Chasing a rolling snowball

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