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EUA lutam contra epidemia de heroína e de seus substitutos farmacológicos

A trágica história de um vício de proporções assustadoras

EUA lutam contra epidemia de heroína e de seus substitutos farmacológicos
Número de usuários de heroína aumentou de 370 mil para 680 mil entre 2007 e 2013 (Fonte: Reprodução/Alamy)

Os Estados Unidos estão lutando contra uma epidemia maciça de heroína e de seus substitutos farmacológicos. Em 2008 as overdoses de drogas, a maioria por opióides, superaram os acidentes de carros, como a principal causa de morte por acidente. O número de usuários de heroína aumentou de 370 mil em 2007 para 680 mil em 2013.

A epidemia, como o jornalista americano Sam Quinones descreve em Dreamland: The True Tale of America’s Opiate Epidemic, um livro baseado em uma pesquisa minuciosa, tem duas causas. Uma delas é a falta de regulamentação do setor farmacêutico; a outra é a inovação do varejo no mercado negro.

Em 1995 a Purdue Pharma, uma empresa de produtos farmacêuticos de Stamford, Connecticut, recebeu permissão da Food and Drug Administration para comercializar um novo opióide forte chamado OxyContin, um analgésico recomendado como alívio a dores moderadas. Os médicos, que evitam receitar opióides, substâncias derivadas do ópio e passíveis de provocar dependência química, já haviam usado o OxyContin, mas apenas em casos de dores intensas. Como previsível, muitos pacientes viciaram-se e os médicos, clínicas e farmácias, que receitam e vendem indiscriminadamente analgésicos opióides, começaram a aparecer. Mas o OxyContin e outros medicamentos semelhantes são caros e, então, os viciados em opiáceos tornaram-se usuários de heroína, uma droga mais barata.

Quinones relata em seu livro muitas histórias trágicas, como mortes de adolescentes, que haviam se viciado em heroína depois de terem sido medicados erroneamente com analgésicos opióides fortes. Essas histórias terríveis também lhe mostraram lições a serem aprendidas. Sem dúvida, o Estado tem obrigação de vigiar a prescrição de analgésicos opióides. Porém, no caso de dependência química, as pessoas precisam ser tratadas por médicos e não como criminosas. Além disso, em razão de a heroína ser uma droga proibida, os viciados recorrem aos traficantes para obtê-la e o vício fica ainda mais difícil de combater.

Fontes:
The Economist - America’s opioid problem: Poppy love

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