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SALVADORENHA DE DEZ ANOS

EUA reconhecem morte de criança migrante após oito meses

Menina salvadorenha de dez anos morreu em um dos centros de detenção de migrantes. Com isso, sobe para seis o número de crianças mortas sob custódia dos EUA

EUA reconhecem morte de criança migrante após oito meses
As autoridades americanas são obrigadas a informar sobre os casos de morte (Foto: Twitter/CBP)

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O governo dos Estados Unidos foi forçado a reconhecer a morte de uma criança migrante que estava sob custódia dos EUA, ocorrida há oito meses. A medida se deu após a imprensa divulgar que uma menina salvadorenha de dez anos morreu sob custódia de um dos centros de detenção de migrantes.

Com a declaração, dada na última quinta-feira, 23, subiu para seis o número de crianças que morreram sob custódia dos EUA, no âmbito da política de separação de crianças migrantes de seus pais.

A morte de Darlyn Valle não foi confirmada na época, só vindo a público na última quarta-feira, 22, após a emissora CBS News realizar uma reportagem sobre os migrantes nos centros de fronteira.

O porta-voz do Departamento de Segurança Interina Americano (DHS, em inglês), Mark Weber, confirmou que a morte ocorreu antes dos outros cinco casos já divulgados pelas autoridades. Weber afirmou à CBS News que a agência supervisionou o atendimento médico de Darlyn, que possuía problemas cardíacos congênitos.

Após passar por uma cirurgia, a menina teve complicações e chegou a ficar em coma, sendo transferida para um hospital infantil em Nebraska. Pouco depois, morreu, em 29 de setembro de 2018, em decorrência de “febre e dificuldades respiratórias”.

Segundo autoridades federais, a morte da menina foi a primeira a ocorrer em um atendimento federal desde 2010.

De acordo com Carlos Martinez, presidente da Associação Cívica Salvadoreña de Nebraska, Darlyn cruzou a fronteira do sul dos Estados Unidos no ano passado e estava na metade do caminho entre El Salvador e a cidade de Omaha, em Nebraska quando foi interceptada pela Patrulha da Fronteira.

A omissão da morte de Darlyn gerou uma onda de indignação de grupos de defensores dos direitos dos migrantes. De acordo com a presidente da organização Families Belong Together, Jess Morales, a morte é “uma tragédia bem debaixo dos nossos olhos”.

“É inaceitável que o país esteja ouvindo sobre essa tragédia pela primeira vez, oito meses após a morte dela, e isso levanta sérias questões sobre quantas outras mortes de crianças migrantes o governo Trump ou não sabe ou não se importa ou está escondendo debaixo do tapete”, declarou Morales.

Em dezembro de 2018, os Estados Unidos anunciaram que modificariam os exames médicos em crianças sob custódia de centros de fronteiras, visto que, seriam realizados exames em crianças de até dez anos nas primeiras 24 horas dentro do centro e 24 horas antes de serem transferidas dos mesmos.

Em contrapartida, Robert Perez, da Patrulha de Fronteira afirmou que “infelizmente, neste momento, as instalações que temos, os recursos e estruturas que trabalhamos não são o suficiente e estão sobrecarregados. Isso continua sendo um desafio contínuo”, afirmou o agente.

Por que tantas mortes?

Na última segunda-feira, 20, foi divulgada a morte de Carlos Gregorio Hernández Vasquez, de 16 anos. Até então, era considerada a quinta morte de um jovem sob o governo dos Estados Unidos.

Porém, a onda de mortes em sequência levou parlamentares a solicitar uma investigação sobre as práticas médicas do Departamento de Segurança Interna e do Escritório de Reassentamento de Refugiados.

O deputado democrata do Arizona, Raúl M. Grijalva culpou o presidente americano, Donald Trump, sobre as mortes.

“Seis crianças morreram sob custódia dos EUA desde setembro de 2018. Passou o tempo de pedir investigações. Trump e seus cúmplices soldados de infantaria precisam acabar com suas políticas cruéis de imigração”, afirmou o democrata em sua conta no Twitter.

A presidente do subcomitê responsável por financiar o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, em inglês), Rosa DeLauro afirmou em um comunicado que iria “garantir responsabilidade e transparência” sobre o caso e questionou “o que levaria a esses funcionários a encobrir um assunto tão sério?”.

As autoridades americanas são obrigadas a notificar autoridades locais sobre o bem-estar das crianças e informar qualquer caso de morte, porém, não são obrigadas a divulgá-las ao público.

Fontes:
DW - EUA reconhecem morte de criança migrante oito meses depois

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