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VENDIDOS COMO ESCRAVOS

Europa e África se unem contra venda de refugiados na Líbia

Líderes dos dois continentes anunciam operação para combater a venda de refugiados no que ficou conhecido como 'mercado de escravos' da Líbia

Europa e África se unem contra venda de refugiados na Líbia
Operação deve entrar em vigor nos próximos dias (Foto: AFP)

Líderes de países africanos e europeus anunciaram na última quarta-feira, 29, uma operação de emergência para resgatar refugiados que estão sendo vendidos como escravos na Líbia.

O anúncio foi feito após uma reunião da 5ª Cúpula entre União Africana e a União Europeia. Sediada na Costa do Marfim, a cúpula teve início na quarta-feira e tem duração de dois dias. O presidente francês, Emmanuel Macron, convocou a cúpula em caráter de emergência após ter acesso à denúncia feita pela emissora americana CNN.

Leia mais: Líbia se torna ponto de leilão de escravos

A operação foi acertada após um apelo do presidente marfinense, Alassane Ouattara, para que sejam tomadas “todas as medidas urgentes” para cessar a venda de refugiados como escravos na Líbia.

Presente na reunião, o presidente francês, Emmanuel Macron, decalrou que os líderes da cúpula “decidiram por uma operação de emergência extrema para retirar da Líbia aqueles que querem sair”. Macron também alertou que está acontecendo na Líbia hoje é um crime contra a humanidade.

Segundo Macron, a operação será feita com base em forças policiais e militares e deve entrar em vigor nos próximos dias. Alguns dos refugiados podem ser acolhidos em países da Europa.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que também participou da conferência, chamou atenção para a importância do apoio europeu aos países africanos para pôr fim à imigração ilegal, impedindo assim que pessoas “tenham que sofrer em campos terríveis na Líbia ou mesmo ser negociadas”.

O atual líder da Líbia reconhecido pela ONU, Fayez al-Sarraj, confirmou sua cooperação na operação. “A Líbia reiterou que vai identificar os campos onde as cenas bárbaras foram registradas”. Sarraj também assegurou o acesso de enviados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e da Organização Internacional aos locais onde ocorrem as vendas.

Denúncias de hipocrisia e impunidade

Apesar do anúncio da operação das afirmações de indignação, ativistas acusam os líderes de hipocrisia. Isso porque eles alertaram da ocorrência da venda de escravos meses atrás. “Com exceção dos cidadãos  comuns, todos sabiam disso – governos, organizações internacionais, líderes políticos”, disse o ativista senegalês Hamidou Anne, do centro L’Afrique des Idees.

A opinião é reforçada por diretor da Anistia Internacional para a África Ocidental e Central. Segundo ele, “a tomada de reféns, violência, tortura e estupro são bem documentadas na Líbia”. “E temos falado da escravidão há um bom tempo”, diz o ativista.

Em abril deste ano, um relatório da Organização Internacional para Migrações (OIM) denunciou a prática. O relatório tem como base denúncias feitas por refugiados que conseguiram escapar. A denúncia também foi feita pelo fotógrafo Narciso Contreras, que viajou pela Líbia no intuito de registrar a crise no país e se deparou co o mercado de escravos. O trabalho resultou na exposição Libya: A Human Marketplace, apresentada entre maio e julho deste ano, na Saatchi Gallery, em Londres.

A venda de refugiados como escravos na Líbia chocou o mundo na semana passada, após ser revelada pela rede CNN. Imagens feitas por repórteres da emissora mostram homens negros sendo vendidos em leilão a compradores do norte da África. O homem que conduz o leilão diz que os homens podem ser aproveitados para trabalhos em fazendas.

Segundo a denúncia, também há refugiados vendidos par retirada de órgãos, além de mulheres comercializadas para exploração sexual. O vídeo também mostra alguns refugiados que conseguiram escapar de serem leiloados, sendo resgatados e colocados em um abrigo lotado de condições precárias. “É difícil crer que estes são os que tiveram sorte”, diz a mulher que narra as imagens.

Segundo especialistas, tais leilões ocorrem na Líbia por dois motivos. O primeiro é a impunidade, algo que fica claro na denúncia da CNN, já que as vendas ocorrem sem sofrer nenhuma repressão, em cidades costeiras próximas à capital Trípoli.

O outro motivo é o caos instaurado na Líbia após a queda do ditador Muammar Khadaffi, em 2011. Khadaffi governou a Líbia por 40 anos e sua queda iniciou uma disputa pelo poder no país. Abandonada pelo Ocidente, o país também se tornou alvo de cobiça do Estado Islâmico, após o grupo perder territórios no Iraque e na Síria. Somado a isso, está o grande número de refugiados que ficaram presos na Líbia após tentar, sem sucesso, migrar para e Europa. A junção desses fatores fez a venda de escravos se tornar um mercado lucrativo e desumano no país.

Confira abaixo o vídeo da CNN que flagra a venda de refugiados na Líbia:

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1 Opinião

  1. Linda Tibilise disse:

    Atônita….. onde o ser humano chegará? O retrocesso civilizatório está em curso numa velocidade desesperadora.

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