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COMBATE AO TERRORISMO

Europa enfrenta o desafio de equilibrar segurança e liberdade

Falta de cooperação entre agências de inteligência dos países europeus e porosidade das fronteiras do continente impedem o combate ao terrorismo

Europa enfrenta o desafio de equilibrar segurança e liberdade
Países europeus se baseiam praticamente em dados da inteligência americana (Foto: Flickr)

Levou duas semanas para que investigadores descobrissem que os terroristas que atacaram Bruxelas, capital da Bélgica, tinham inicialmente o objetivo de realizar novos atentados em Paris. Até hoje, os governos de vários países da Europa não sabem a escala dos planos do Estado Islâmico (Isis) para o continente.

Membros do Isis se movem livremente pelas fronteiras e os investigadores acreditam que há células terroristas em países que ainda não foram alvos de atos violentos. Eles acreditam que os próximos alvos mais prováveis são Reino Unido, Alemanha e Itália. Tais constatações reforçam a urgente necessidade de reparar as falhas da segurança e do sistema judiciário da Europa.

Há algumas brechas óbvias no sistema de segurança europeu. Com exceção de Reino Unido, Alemanha e Holanda, os países do continente se recusam a compartilhar informações básicas de inteligência. Isso dificulta bastante a conexão de eventos e suspeitos, bem como a prevenção de futuros ataques.

A cooperação também é prejudicada pela diferença de idiomas, atuação da inteligência, orçamento e até percepções sobre a ameaça de ataques terroristas. Através desta concepção é possível afirmar que a União Europeia se tornou um bloco mais econômico do que político, o que, entre outras coisas, significa que não há um serviço central de inteligência para o bloco.

A maioria dos países europeus se baseia praticamente em dados da inteligência americana, compartilhando mais informações com a CIA e com o FBI do que com órgãos do próprio continente.

A necessidade de um trabalho de equipe mais amplo se torna ainda mais crucial diante da porosidade das fronteiras entre os países do bloco. Se antes essa porosidade era um exemplo de liberdade de deslocamento, hoje ela representa uma grande ameaça permitindo que milhares de europeus sejam recrutados pelo Isis e a entrada de centenas de milhares de refugiados que fogem da guerra na Síria.

No mês passado, Lisa Monaco, chefe de inteligência e contraterrorismo na Casa Branca abordou o assunto. Segundo ela, a Europa precisa fazer mais para desfazer esses entraves, através da contínua derrubada de barreiras que impedem a interação entre agências de inteligência do bloco.

“Democracias sempre devem encontrar o equilíbrio entre segurança e liberdade, mas a necessidade da Europa de abandonar atitudes e estruturas que impedem a ação contraterrorista não poderia ser mais urgente”, disse Monaco.

Fontes:
The New York Times-Europe’s Urgent Security Challenge

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