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CHOQUE DE CULTURAS

Europa investe em educação sexual para refugiados

Temendo novos ataques sexuais como os ocorridos em Colônia em 2015, países europeus passaram a submeter refugiados a aulas de educação sexual

Europa investe em educação sexual para refugiados
Muitos dos refugiados nunca tiveram aulas de educação sexual (Foto: Wikimedia)

Poucos homens conseguem manter uma expressão séria enquanto colocam um preservativo em um pênis de borracha. Ali e Ahmadzai não são exceções. Os dois jovens afegãos que chegaram à Bélgica em busca de asilo estão recebendo aulas de educação sexual junto com outros dez homens no centro de refugiados onde estão alojados, na cidade de Broechem.

As risadas são constantes. “Em Logar, de onde eu venho, homens não falam com as garotas. Se fizerem isso, o Talibã mata a pedradas”, explica Ahmadzai. A Bélgica tem sido um choque cultural. Mesmo assim, Ahmadzai não se arrisca a falar com as mulheres. “Olhar para elas já é bom o bastante”.

Os ataques ocorridos na virada do ano em Colônia, Alemanha, quando grupos de homens, a maioria proveniente do norte da África, agarraram, roubaram e estupraram centenas de mulheres deixou em alerta os governos de vários países da Europa. O temor é que os valores machistas de alguns refugiados que eles estão acolhendo gere problemas como o ocorrido em Colônia.

Por conta disso, foram criadas aulas de educação sexual e cultura de gênero como as de Broechem, que têm como temas a saúde sexual e o respeito às mulheres. Por enquanto, as aulas são ministradas por voluntários, mas a Bélgica planeja torná-las obrigatórias em todos os centros de refugiados até o ano que vem, algo que já é feito na Noruega.

Uma das prioridades é prevenir estupros. Thomas Demyttenaere, da Sensoa, organização belga encarregada de desenvolver o curso, diz que nunca encontrou um refugiado que acreditasse que o estupro fosse algo aceitável. Porém, o conceito de consentimento pode variar de acordo com a cultura. “Em uma sociedade fortemente patriarcal, seja ela muçulmana, cristã ou hindu, os homens muitas vezes se sentem no direito de tratar as mulheres de forma agressiva”.

A ideia é integrar os refugiados na cultura sexual europeia, que prevê a proteção e o respeito às mulheres, para evitar algo semelhante ao que ocorreu em Colônia. Em Broechem, pais estão preocupados. A equipe do centro de refugiados costuma receber regularmente queixas de pais que dizem que os refugiados estão assediando suas filhas. O mesmo ocorre com novas integrantes que chegam à equipe.

Carla Pannemans, que há anos trabalha com aulas de educação sexual para migrantes, diz que muitos deles simplesmente não entendem os códigos de conduta locais. No entanto, prover educação sexual para migrantes é mais complicado do que parece. Muitos deles nunca tiveram uma aula sobre o assunto.

Não se sabe até que ponto o temor europeu em relação aos ataques sexuais é calcado na realidade. Desde os ataques em Colônia não foram registrados episódios similares. Além disso, segundo um relatório da polícia federal alemã, a Bundeskriminalamt, os refugiados foram responsáveis por somente 3,6% dos crimes sexuais registrados no país em 2015.

Enquanto os europeus temem que os refugiados do Oriente Médio tragam consigo valores machistas, os refugiados encontram problemas em se ajustar na cultura ocidental. “Por um lado, há mulheres seminuas em anúncios. Por outro, é muito difícil convidar uma mulher para sair. Eles acham isso muito confuso”, diz Demyttenaere.

Fontes:
The Economist-Europe is trying to teach its gender norms to refugees

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1 Opinião

  1. Aureo Ramos de Souza disse:

    Dentro de alguns anos vai aparecer tanta mulher grávida e nascerão muitos europeus mulatos grandalhões. Será cada NEGRÃO…

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