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DESAFIOS FUTUROS

Europa já pressiona Macron por mudanças na França

Um dia após celebrar a vitória do novo presidente eleito da França, líderes europeus começam a pressionar por mudanças no país

Europa já pressiona Macron por mudanças na França
UE diz que não vai relaxar a política orçamentária em prol da França (Foto: Flickr/Consulat de France)

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A afeição do presidente eleito da França, Emmanuel Macron, com a Europa é tão forte que ele celebrou sua vitória nas eleições francesas do último domingo, 7, em seu comitê, cercado de eleitores, ao som de “Ode to Joy”, hino oficial da União Europeia.

Porém, depois de passar meses elogiando a campanha de Macron e após celebrar sua vitória no pleito, líderes europeus começaram a pressionar para que ele faça as mudanças exigidas pela União Europeia na economia francesa.

Um dia após a vitória de Macron, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ferrenho entusiasta de Macron, teceu fortes críticas ao excesso de gastos da França.

“Temos um problema sério com a França. A França gasta muito dinheiro e gasta com as coisas erradas”, disse Juncker, citando o fato de que entre 53% e 57% do PIB francês são referentes a gastos públicos. Para a comissão, os gastos públicos somados à alta dívida da França são pontos delicados para a UE.

A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, que já chamou Macron de “bravo e pró-Europa”, disse que a UE não vai relaxar suas regras orçamentárias para acomodar a excentricidade francesa. “O apoio alemão não substitui a política francesa”, disse Merkel. A eleição de Macron renovou os pedidos para que a UE alivie sua política orçamentária para apoiar economias instáveis, como a França. “Não vejo por que seria uma prioridade mudar nossa política”, disse a primeira-ministra.

Em contraponto, Macron recebeu dois apoios inesperados. Primeiro, do presidente russo Vladimir Putin. Após meses de aproximação com a rival derrotada de Macron, a líder da extrema-direita Marine Le Pen, Putin disse, na última segunda-feira, 8, que deseja colocar de lado as diferenças com Macron para que os dois líderes trabalhem juntos.

Em um telegrama parabenizando Macron pela vitória, o Kremlin disse ser hora de “superar as desconfianças mútuas e unir esforços para garantir a estabilidade e a segurança internacional”. A declaração ocorre em meio às investigações do ciberataque sofrido pela campanha de Macron um dia antes das eleições, o que a inteligência francesa aponta ter ligações com a inteligência militar russa. A campanha de Macron já vinha se queixando de uma onda de notícias falsas sobre Macron apoiadas pelo Kremlin para desacreditá-lo como candidato.

Outro que acenou apoio a Macron foi o ex-primeiro-ministro francês, Manuel Valls, que anunciou que pretende concorrer às eleições legislativas, previstas para junho, pelo movimento fundado por Macron e pelo qual ele concorreu à presidência, o En Marche!.

Assim como Macron que foi ministro das Finanças, entre 2014 e 2016, Valls integrou o governo de François Hollande, o presidente mais impopular da história recente da França. No ano passado, Valls entregou seu cargo a Bernard Cazeneuve para concorrer às eleições presidenciais. Porém, ele foi derrotado nas primárias do Partido Socialista por Benoît Hamon, que foi derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais.

Aparentemente, a ação de Valls é uma tentativa de descolar sua imagem de Hollande, do Partido Socialista e de tudo considerado pelos eleitores como a velha política. Em entrevista dada nesta terça-feira, 9, Valls disse que o Partido Socialista francês “está morto” e “não tem futuro”. “Os velhos partidos estão a morrer ou estão mortos”, disse Valls.

O apoio de Putin e Valls foi recebido com frieza por Macron. Isso porque ele não pretende destoar as críticas da Europa à Rússia e não deseja associar sua imagem ao Partido Socialista. Principalmente após ter sido bem sucedido com seu movimento fundado no ano passado, após ele deixar o Partido Socialista.

Em entrevista a uma rádio francesa nesta terça-feira, Macron garantiu que a candidatura de Valls terá o mesmo tratamento das demais. A declaração foi corroborada pelo presidente do En Marche!, Benjamin Griveaux. “Se não apresentar um pedido, não pode ser investido pelo movimento En Marche!. Ainda lhe restam 24 horas. O procedimento é igual para todos, incluindo para ex-primeiros-ministros”, disse Griveaux.

Fontes:
Quartz-Emmanuel Macron is already getting heat from his allies—and love from Vladimir Putin

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