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Propaganda russa

Europa reage à guerra de desinformação da Rússia

A máquina de propaganda do Kremlin tem sido um elemento essencial da 'guerra híbrida' da Rússia na Ucrânia

Europa reage à guerra de desinformação da Rússia
O Kremlin explora o uso tendencioso da informação como arma para confundir seus adversários (Reprodução/Peter Schrank)

Quando a Rússia preparava-se para anexar a Crimeia há um ano o efeito psicológico das mensagens transmitidas pelas emissoras de televisão russas, retratando os manifestantes que haviam derrubado o governo da Ucrânia, como uma ralé neonazista, foi tão eficaz como um ataque armado para enfraquecer as defesas da península. Um mês depois, quando os rebeldes pró-russos invadiram Donetsk, a leste da Ucrânia, uma das primeiras medidas das forças rebeldes foi a substituição das emissoras de televisão ucranianas por emissoras russas, que haviam sido proibidas no país.

A máquina de propaganda do Kremlin tem sido um elemento essencial da “guerra híbrida” da Rússia na Ucrânia e no fortalecimento do apoio de Moscou a Vladimir Putin. Mas essa guerra tem uma abrangência muito maior do que a intervenção na Ucrânia. Ela atinge os países do Leste Europeu por meio dos canais de televisão, que oferecem aos telespectadores programas de entretenimento interessantes misturados às notícias falsas. Estende-se para o Ocidente com a transmissão de programas em inglês, espanhol, francês e alemão da emissora estatal RT (antigo canal Russia Today).

A Rússia também utiliza os meios de comunicação ocidentais para divulgar informações falsas em artigos publicados no New York Times e no Daily Telegraph. Às vezes, as matérias são introduzidas sub-repticiamente em publicações russas respeitáveis, por editores ingênuos ou com excesso de trabalho que, sem perceberem, reproduzem as informações manipuladas pelo governo da Rússia. Além disso, o Kremlin explora o uso tendencioso da informação como arma para confundir seus adversários em fóruns de discussões on-line e redes sociais.

Os países que estão na frente de batalha da “guerra de informação” de Moscou, nas palavras dos analistas políticos Peter Pomerantsev e Michael Weiss, estão tentando há muito tempo alertar as autoridades para a gravidade do problema.

Agora a União Europeia (UE) decidiu agir. A pedido dos chefes de Estado reunidos em Bruxelas neste mês de março, a Alta Representante da UE para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, irá elaborar um plano de combate às “campanhas de desinformação” da Rússia até junho. Antes dessa data a EU criará uma força-tarefa (Mythbusters), que se encarregará de monitorar a mídia russa, identificar informações falsas e corrigir os erros.

Fontes:
Economist-Aux armes, journalistes!

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