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Europa tenta reduzir a influência da Gazprom sobre o preço do gás

Até o momento, os europeus vêm sendo bem sucedidos, no entanto ainda é cedo demais para a Europa declarar vitória

Europa tenta reduzir a influência da Gazprom sobre o preço do gás
A principal contenda é o método de precificação do gás (Reprodução/EPA)

A combustibilidade do gás natural o torna uma arma potente. Quando a Gazprom, uma enorme empresa de gás controlada pelo estado russo, cortou o fornecimento para a Ucrânia no início de 2009 devido a uma desavença relacionada ao não pagamento de contas, os europeus mais a oeste também sofreram as consequências. A Gazprom também fornece cerca de um quarto do gás deles, o qual serve para aquecer casas, alimentar fornalhas industriais e usinas elétricas, sendo que boa parte do combustível é transportado por meio de um gasoduto que passa pela Ucrânia. As concessionárias e reguladores europeus desde então têm tentado reduzir o poder de mercado da empresa russa. Embora tudo indique que eles estejam vencendo a batalha, a Gazprom pode vir a surpreender os seus clientes mais uma vez.

A principal contenda é o método de precificação do gás. A Gazprom deseja que seus clientes europeus continuem a comprar gás a preços altos sob contratos de longo prazo (alguns chegam a durar décadas) e que esses preços estejam vinculados ao do petróleo. A Gazprom lucra bastante com tais consumidores, uma vez que o petróleo é caro, embora a empresa produza gás a um custo baixo devido aos seus vastos campos desenvolvidos durante a era soviética. No entanto, uma proporção alta e cada vez maior do gás europeu agora está sendo transacionada em mercados spot a preços mais baixos determinados pela oferta e demanda.

A proporção do gás da Europa comprado no mercado spot aumentou de 15% em 2008 para 44% em 2012. Hoje em dia essa proporção já ultrapassa 50% e no noroeste da Europa esta é de cerca de 70%. Isso comprometeu a posição da Gazprom, mas a empresa tem se ajustado ao novo terreno. Embora os seus diretores insistam que a indexação ao petróleo continuará, a empresa já vende uma parte da sua produção de gás no mercado spot e expandiu suas operações de negociação – de um punhado de pessoas nos subúrbios de Londres para 900 por todo o mundo.

No entanto, ainda é cedo demais para a Europa declarar vitória. Ao manter a posição de principal fornecedora para a Europa, a Gazprom pode influenciar os preços spot, de acordo com Howard Rogers do Instituto Oxfordpara Estudos de Energia. É possível que a empresa ainda influencie o preço do gás europeu por muitos anos.

Fontes:
The Economist-Paying the piper

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