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As portas do tribunal se abriram na segunda-feira, 21, para dar início ao julgamento de um dos maiores escândalos políticos da França, um drama judicial que tem o objetivo de esclarecer negócios obscuros realizados bem no centro do poder.
De um lado, o presidente francês, Nicolas Sarkozy. De outro, o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin, seu principal rival dentro do partido nas eleições presidenciais em 2007. O caso inclui cinco suspeitos de envolvimento e outros 40 mandantes, cujos nomes estavam ligados a contas falsas no banco Clearstream, de Luxemburgo, utilizadas para o recebimento de pagamentos a venda de armas.
Em 2004, a Justiça francesa recebeu uma lista anônima contendo informações sobre contas em bancos estrangeiros, que depois foi revelada falsa, que apontava para nomes de diversas personalidades da política francesa. Entre os nomes estavam o de Sarkozy, ministro do Interior na época; e o de Dominique Strauss-Kahn, atual diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, além de outros. Há indícios de que o ex-primeiro-ministro estava ciente da existência da tal lista e, segundo a acusação, não fez nada a respeito consciente do dano político que poderia causar a Sarkozy, seu então adversário. Diante disso, Villepin passou a ser acusado no caso por “cumplicidade em denunciação caluniosa, cumplicidade no uso de documentos falsos, ocultação de roubo e ocultação de abuso de confiança”.
Já Sarkozy acreditava que o caso era uma tentativa de políticos de alto nível para tirarem sua popularidade e diminuírem suas chances de se tornar presidente em 2007. Ao chegar ao tribunal, Villepin disse estar ali pela “teimosia de um homem, Nicolas Sarkozy” e insistiu que sairá do julgamento “livre e limpo”.