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Bolívia

Evo Morales enfrenta protestos por parte de apoiadores

Súbito aumento no preço dos combustíveis deixa sindicatos e movimentos sociais contra o presidente boliviano

Evo Morales enfrenta protestos por parte de apoiadores
Aumento súbito no preço da gasolina gerou pânico e revolta (Fonte: Reuters)

A ascensão de Evo Morales à presidência da Bolívia foi impulsionada pelos intensos protestos de sua massa de seguidores contra medidas economicamente racionais, porém politicamente impopulares, que retiraram dois de seus antecessores do cargo antecipadamente. Agora Morales, um socialista de origem indígena, está na infeliz posição de ser o alvo de tais protestos. No dia 26 de dezembro seu governo anunciou que daria fim aos subsídios de vários combustíveis, uma medida que incluiu um aumento de 73% no preço da gasolina. Cinco dias depois que motoristas de ônibus entraram em greve, e muitos dos apoiadores de Morales nos sindicatos e movimentos sociais foram às ruas protestar, o governo retirou a medida. Para um presidente popular, foi uma humilhação sem precedentes.

A lógica por trás do aumento foi impecável. Os preços dos combustíveis na Bolívia estavam congelados desde antes de Morales chegar ao poder, em 2006, mesmo com a disparada dos preços do petróleo. O resultado foi um aumento na demanda, queda na produção petrolífera e um acúmulo de leis para importação e subsídios de combustíveis. O congelamento de preços custou ao governo US$ 380 milhões em 2010, um valor que chegará a US$ 600 em 2011, de acordo com o vice-presidente Álvaro García Linera.

Uma vez que os preços da gasolina nos países vizinhos são entre duas e três vezes mais altos que na Bolívia, onde um litro custa US$ 0,53, boa parte desse dinheiro (cerca de US$ 150 milhões em 2010) foi gasto em combustível que foi contrabandeado para fora do país. Mas García Linera também afirmou que os preços devem subir para encorajar o investimento. A produção de petróleo cru caiu pela metade desde que o petróleo e o gás natural foram nacionalizados por Morales em 2006. Embora o governo permita que companhias privadas continuem a operar parte da indústria, ele as paga somente US$ 27 por barril, menos de um terço do preço mundial atual. Sem um aumento nos preços, o governo terá que encarar a vergonhosa tarefa de subsidiar companhias petrolíferas.

Mas um aumento tão alto e súbito no preço da gasolina gerou pânico e revolta. Prateleiras de supermercados foram vandalizadas, os preços dispararam com os boatos de escassez, e correntistas fizeram fila nos bancos para sacar seus depósitos. Após um par de dias, Morales acalmou os protestantes anunciando aumentos salariais de até 20% para funcionários públicos e ajuda extra para os fazendeiros. Mas cerca de 70% dos bolivianos trabalham na economia informal. O aumento de preços trouxe de volta memórias dolorosas dos planos de estabilização apoiados pelo FMI que foram implementados quando a Bolívia estava falida nos anos 1980.

Morales disse aos bolivianos que a economia ia bem. E vai, até certo ponto, ajudada por perdões de dívida e pelo boom de commodities: a Bolívia foi um dos poucos países na América Latina que evitou a recessão em 2009. A estratégia do governo foi extrair mais dos lucros do petróleo e do gás natural por meio da nacionalização, e espalhar esse dinheiro entre seus apoiadores nas regiões pobres e montanhosas da Bolívia através de programas sociais, crédito subsidiado, e a construção de novas estradas e hospitais.

Até agora, isso parece estar funcionando. Mas seus oponentes há muito tempo afirmam que a nacionalização criaria um mero boom de curto prazo enquanto estrangulava os investimentos. O governo, ou parte dele, agora parece concordar. Membros da equipe governamental afirmam que negociarão com os movimentos sociais e sindicatos em busca de uma maneira de aumentar os preços dos combustíveis. Talvez essa devesse ter sido a primeira opção.

Fontes:
Economist - Fuel on the fire

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1 Opinião

  1. João Cirino Gomes disse:

    Ei diga qual é o valor do litro de combustível na Bolívia?
    Para que o povo brasileiro veja e faça comparação, entre o preço que nós, os donos do petróleo, pagamos por um combustível adulterado. E ainda tem quem acredita, que tem politico defendendo a justiça social e justa distribuição de renda!
    Defende uma óva, eles só visam melhorias para eles seus asseclas e familiares!

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