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Ex-diretor da CIA no Paquistão revela detalhes do pós 11 de setembro

Livro descreve os esforços de ex-diretor da CIA e da Embaixada dos EUA em Islamabad para ajudar Hamid Karzai a assumir a presidência do Afeganistão após os atentados

Ex-diretor da CIA no Paquistão revela detalhes do pós 11 de setembro
Robert Grenier era mais um espião cavalheiresco da antiga escola do que um agente secreto moderno (Reprodução/Internet)

Robert Grenier começou a trabalhar na CIA em 1979, logo depois que o xá do Irã exilou-se nos Estados Unidos. Um momento difícil para a agência, mas Grenier, imbuído do ethos dos ótimos colégios que frequentara na Costa Leste, sobretudo Dartmouth College onde se formara há pouco tempo, estava ansioso para servir ao país. Em 88 Days to Kandahar: A CIA Diary, um relato denso e bem escrito da época em que foi diretor da CIA no Paquistão e, mais tarde, um burocrata graduado na sede da agência em Langley, Virginia, mostra como ele foi atraído por uma carreira com possibilidade de grandes realizações e, por causa do risco, de um fracasso vergonhoso. Na verdade, Grenier era mais um espião cavalheiresco da antiga escola do que um agente secreto moderno.

A maior parte do livro dedica-se a descrever os esforços de Grenier e da embaixada dos Estados Unidos em Islamabad para ajudar Hamid Karzai a assumir a presidência do Afeganistão logo após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O autor relatou as tentativas de fornecer apoio aéreo e armas ao inexperiente Karzai, que entrara no Afeganistão vindo do Paquistão no outono de 2001, com um grupo heterogêneo de seguidores e um telefone via satélite que praticamente não sabia usar.

As descrições dessa fase inicial da guerra do Afeganistão são, ao mesmo tempo, divertidas e assustadoras. As videoconferências no final da noite com as autoridades desagradáveis do Pentágono, que queriam sabotar as estratégias de apoio da CIA a Karzai, mostram a guerra destrutiva no contexto do governo Bush (os militares americanos apoiavam a Northern Alliance). E a característica volátil da agência de inteligência paquistanesa, Inter-Services Intelligence, nos faz pensar de novo por que os Estados Unidos confiavam nesse parceiro ambíguo.

 

Fontes:
Economist-Many masters, many lives

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