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ALEMANHA

Ex-guarda nazista será julgado por 5.230 mortes

Execuções ocorreram entre agosto de 1944 e abril de 1945, no campo de concentração de Stutthof. Julgamento está marcado para a próxima quinta-feira, 17

Ex-guarda nazista será julgado por 5.230 mortes
Estima-se que 65 mil pessoas morreram em Stutthof até maio de 1945 (Foto: Pankrzysztoff)

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Um ex-membro da SS – organização paramilitar do período do regime nazista – responsável por vigiar o campo de concentração de Stutthof, atual território da Polônia, irá a julgamento na próxima quinta-feira, 17, no que pode ser um dos últimos julgamentos de crimes nazistas. O julgamento ocorrerá em um tribunal da cidade de Hamburgo, na Alemanha.

Atualmente com 93 anos, o ex-guarda, identificado como Bruno D., é acusado de cumplicidade em assassinatos em massa de 5.230 prisioneiros na época em que atuou no campo de concentração, entre agosto de 1944 e abril de 1945, quando tinha entre 17 e 18 anos.

Segundo noticiou o Guardian, do total e vítimas, 5 mil morreram em decorrência de uma epidemia de tifo, impulsionada pelo acesso negado à alimentação e cuidados médicos e pelas condições precárias de higiene do campo. Outras 200 vítimas foram executadas com uso de gás Zyklon B, e 30 com disparos na nuca.

Por conta da idade que tinha quando ocorreram as execuções, Bruno D. será julgado por um Tribunal Juvenil – equivalente a um Juizado da Infância e da Juventude do Brasil. E por conta de sua idade atual, cada sessão do julgamento não poderá durar mais de duas horas. Se condenado, ele pode ser sentenciado a até 10 anos de prisão.

Apesar da idade avançada, o ex-guarda foi considerado por laudos médicos lúcido e capaz de ser submetido ao julgamento. Ele vem cooperando com a Justiça alemã e já passou por oito audiências.

Em uma das audiências, Bruno reconheceu sua atuação no campo de Stutthof e confirmou ter visto pessoas sendo levadas para execução. Ele também confessou ter escutado os gritos dos prisioneiros e admitiu que na época tinha conhecimento da natureza das execuções.

“Eu sabia que eram judeus e não cometeram crimes, que estavam lá apenas por serem judeus. E eles tinham o mesmo direito de viver e trabalhar livremente como qualquer outra pessoa”, disse o ex-guarda.

No entanto, em sua defesa, ele disse nunca ter sido nazista e que somente foi designado como guarda no campo por conta de um problema no coração que o impedia de ser enviado para batalha. Ele refuta a acusação de cumplicidade nas execuções.  “Do que adiantaria se eu fosse embora? Eles colocariam outro em meu lugar”, disse ele.

A promotoria, no entanto, discorda de sua alegação de inocência, destacando que a cumplicidade de guardas como Bruno foi fundamental para a máquina de execução em massa do regime nazista. Além disso, a promotoria destaca ainda que, embora Bruno não seja um admirador fervoroso da ideologia nazista, não fez nada para defender as vítimas, acreditando que conseguiria sobreviver se apenas cumprisse as ordens.

Stutthof foi um dos menores campos de concentração do regime nazista. Estima-se que 65 mil pessoas morreram no local até maio de 1945, quando o campo foi libertado pelas forças aliadas.

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