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ELEIÇÕES NA LIBÉRIA

Ex-jogador de futebol é eleito presidente da Libéria

Ex-estrela de futebol, George Weah é eleito na primeira transição entre presidentes democraticamente eleitos em 73 anos na Libéria

Ex-jogador de futebol é eleito presidente da Libéria
George Weah foi eleito o melhor jogador do mundo em 1995 (Foto: Flickr)

Único africano a ganhar o prêmio de melhor jogador de futebol do mundo, o ex-atacante George Weah foi eleito presidente da Libéria na última quinta-feira, 28. Weah já tinha vencido o primeiro turno, com 38,4% dos votos, e voltou a vencer no segundo turno, somando 61,5% dos votos, com 98% das urnas apuradas. Participaram do pleito 2 milhões de eleitores.

É a primeira vez em 73 anos que a Libéria tem uma transição entre presidentes democraticamente eleitos. O governo anterior, da presidente Ellen Johnson Sirleaf, assumiu o comando do país de um governo provisório liderado por Charles Gyude Bryant, que não tinha título de presidente. Bryant foi responsável por fazer a transição para a democracia após anos de guerra civil no país.

Weah – que foi estrela de times europeus como Milan, Chelsea e PSG – concorreu pelo partido Congresso pela Mudança Democrática (CDD). No segundo turno, ele derrotou o atual vice-presidente, Joseph Boakai, do Partido da Unidade (PU).

O segundo turno das eleições presidenciais, que foi disputado na última terça-feira, 26, deveria ter ocorrido no início de novembro, mas foi adiado porque o candidato Charles Brumskine, do Partido pela Liberdade (PL), entrou com um recurso acusando a votação de fraudulenta. No entanto, as acusações foram rejeitadas pelo Supremo Tribunal do país.

As eleições encerram o governo da presidente Sirleaf. Vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2011, ela se tornou a única mulher eleita chefe de Estado em todo o continente africano em 2005, quando disputou e venceu a eleição presidencial liberiana, na qual derrotou o próprio Weah. Seis anos depois, ela foi reeleita.

Em sua campanha, Weah usou sua história de superação pelo esporte para angariar o apoio de eleitores descontentes com o governo de Sirleaf. Embora tenha conseguido consolidar a democracia no país, Sirleaf é criticada por fracassar no combate à corrupção.

Um país em construção

Localizada no oeste da África, a Libéria é a mais antiga República do continente africano. Ela foi fundada em 1822, por ex-escravos libertados nos EUA que foram trazidos para a região, com o apoio do governo americano.

O país atravessou duas gerras civis. A raiz dos conflitos remete ao ano de 1980, quando os partidos de oposição Reforma e Povo Unido exigiram a renúncia do então presidente R. Tolbert Jr., que, com o respaldo dos EUA, oprimia a oposição. O exército se aliou à oposição em um golpe de Estado que culminou no assassinato de Tolbert Jr. e na ascensão de Samuel Doe ao poder.

Doe cancelou a Constituição e iniciou um controverso e autoritário regime que afundou o país em uma crise econômica. Foi nesta época que teve início a primeira guerra civil da Libéria (1989-1996).

Em 1989, Charles Taylor, um ex-aliado de Doe, retornou para a Libéria após passar anos em uma prisão nos EUA, para onde foi após ser acusado por Doe de desfalque. Ao retornar para a Libéria, ele iniciou uma guerrilha contra o regime de Doe.

Em meados de 1990, as forças de Taylor já dominavam quase todo o território liberiano. Doe foi capturado em setembro, na capital Monróvia, por Prince Johnson, um rebelde que posteriormente iniciou trajetória política e hoje é senador pelo condado de Nimba. Antes de executar Doe, Johnson impôs uma sessão de tortura ao ex-ditador. Um vídeo mostrando Johnson tomando uma cerveja Budweiser enquanto cortava a orelha de Doe correu noticiários de todo o mundo.

Taylor foi eleito em 1997, através de um pleito que contou com observadores internacionais. Porém, ele foi criticado por atuar como um militar autoritário e, entre outras coisas, foi acusado pela ONU de alimentar o conflito em Serra Leoa, se aproveitando do tráfico de armas e diamantes para rebeldes.

Um novo levante da oposição, desta vez contra Taylor, deu início à segunda guerra civil do país (1999-2003). Em agosto de 2003, Taylor concordou em renunciar, cedendo o poder a seu vice, Moses Blah, que governou por apenas três dias, entre 11 de agosto e 14 de outubro de 2003, quando o governo provisório liderado por Bryant assumiu o comando do país.

Fontes:
DW-Libéria elege ex-estrela do futebol presidente
BBC-Guerra civil na Libéria já dura 20 anos

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