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Ex-presidente do Egito morre após passar mal em tribunal

Preso desde 2013, quando foi deposto por militares, Mohamed Morsi morreu enquanto prestava depoimento. Morte pode estar associada a tratamento degradante na prisão

Ex-presidente do Egito morre após passar mal em tribunal
Morsi morreu enquanto prestava depoimento em um tribunal no Cairo (Foto: Facebook)

O ex-presidente do Egito Mohamed Morsi morreu, aos 67 anos, nesta segunda-feira, 17, após passar mal enquanto prestava depoimento em um tribunal no Cairo, referente a um processo no qual é investigado por acusação de espionagem.

Morsi prestava depoimento quando segundo testemunhas, se agitou e desmaiou em seguida. Seu corpo foi encaminhado já sem vida para um hospital próximo.

Considerado uma figura de destaque na Irmandade Muçulmana, Morsi enfrentava dezenas de processos e estava preso desde julho de 2013, quando foi deposto por um golpe militar.

Eleito em 2012, Morsi foi o primeiro presidente civil do Egito e primeiro presidente ativista islâmico a ser eleito democraticamente após a queda do ditador Hosni Mubarak, em meio aos protestos da Primavera Árabe no país.

Depois de um ano no poder, ele foi deposto por um golpe militar após dezenas de protestos contra seu governo.

Morsi enfrentou pelo menos seis julgamentos e esteve preso por quase seis anos. O ex-presidente cumpria a pena de 20 anos devido a uma condenação por assassinato e tortura ilegal de manifestantes em 2012. Além dessa acusação, também cumpria a pena de prisão perpétua por cometer atos terroristas com organizações estrangeiras e espionagem.

Durante o ano de 2011, Morsi esteve preso em Wadi Natroun quando homens armados neutralizaram os guardas e o libertaram, junto a milhares de pessoas em um conluio realizado por militantes do movimento islâmico palestino Hamas e do xiita Hezbollah.

Em 2015, Morsi e mais 100 pessoas foram condenadas à morte pelo planejamento da fuga em massa. Segundo seus defensores, as acusações foram motivadas politicamente.

Em novembro de 2016, o Tribunal de Cassação descartou a prisão perpétua de Morsi e de outros 21 réus, ordenando a realização de outro julgamento.

Tratamento degradante na prisão

De acordo com parentes, Morsi só teve direito a três visitas durante seu período de reclusão. A visita final, em 2018, contou com toda a família, porém, na presença de forças de seguranças.

Segundo um relatório medico realizado por britânicos, sob o Painel Independent Detention Review, a falta de tratamento médico poderia resultar na morte prematura de Morsi.

De acordo com um dos líderes da Irmandade Muçulmana, Mohammed Sudan, a morte de Morsi foi premeditada devido ao ex-presidente não receber as medicações necessárias para sua saúde.

Os membros do painel tiveram acesso negado pelas autoridades sobre as visitas a Morsi e relataram, de forma independente, que a falta de medicações era um grande problema.

“Nossas conclusões são cruéis. A negação do tratamento médico básico a qual ele tem direito pode levar à sua morte prematura ”, afirmou Crispin Blunt presidente do painel na época.

Segundo os membros, Morsi era mantido em confinamento solitário, 23 horas por dia. Segundo diretrizes da ONU, o ato é considerado como tortura.

Segundo Jama Elshayyal, jornalista do Al Jazeera, Morsi “não foi autorizado a ver seus advogados e não teve permissão para visitas familiares; sua família também se queixou de que, além do confinamento na solitária, ele também não recebia o tratamento médico que deveria receber”, ressaltou o jornalista.

O presidente turco Recept Tayyip Erdogan foi o primeiro líder mundial a prestar homenagens ao ex-presidente, chamando-o de “mártir”.

“Que Alá descanse em nosso irmão Morsi, a alma de nosso mártir em paz”, declarou Erdogan.

Fontes:
DW-Morre Mohamed Morsi, ex-presidente do Egito

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