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TERRORISMO NA ÁFRICA

Exército da Nigéria prende civis confundidos com membros do Boko Haram

Civis inocentes, incluindo crianças, passam até meses em centros de detenção por suspeita de ligação com o grupo

Exército da Nigéria prende civis confundidos com membros do Boko Haram
No quartel Giwa, há 1.200 civis detidos, dos quais 120 são crianças (Foto: Anistia Internacional)

Em sua guerra contra o Boko Haram, o exército nigeriano vem colocando na prisão civis que tentam escapar do grupo, incluindo crianças e bebês.

Segundo a Anistia Internacional, um dos centros de detenção do país, o quartel Giwa, na cidade de Maiduguri, berço do Boko Haram, tem 1.20o civis detidos, dos quais 120 são crianças. Somente este ano, 150 detidos morreram em decorrência das condições precárias do local, incluindo seis crianças abaixo de seis anos, quatro delas bebês de colo. “Muitos foram presos de forma arbitrária, durante prisões em massa”, disse a Anistia Internacional.

As detenções de civis saltaram desde que Muhammadu Buhari chegou à presidência no ano passado, prometendo eliminar o Boko Haram. Desde então, o exército nigeriano vem avançando na retomada do controle de regiões dominadas pelos extremistas.

O problema é que centenas de civis acabam sendo levados por suspeita de ligações com o grupo. Isso porque os militares têm grande dificuldade em determinar quem é vítima do Boko Haram e quem é simpatizante do grupo. Os civis permanecem presos por semanas ou meses até que provem sua inocência através de vários interrogatórios.

Os jihadistas costumam matar todos os homens jovens e meninos que se recusam a se juntar à insurgência. Logo, qualquer homem vivo é visto como suspeito de ser militante. Já as meninas são forçadas a se casar com jihadistas após serem capturadas pelo grupo e muitas acabam engravidando.

No norte da Nigéria, não apenas os militares, mas a população em geral enxerga com forte suspeita todos que passaram um tempo sob o domínio do grupo. O temor é que essas pessoas tenham sido influenciadas pela interpretação violenta que o grupo tem do islã. Esse temor é alimentado pelos atentados suicidas feitos por crianças e mulheres em mercados, escolas e até campos que recebem pessoas que fogem do grupo.

Com isso, inocentes acabam pagando um alto preço pela desconfiança. Foi o que aconteceu com Dije Ali, que passou meses detida com seus sete filhos em Giwa. Ela e o marido fugiram com os filhos após perceber que jihadistas do Boko Haram se aproximavam do vilarejo onde moravam. Na fuga, eles encontraram militares que os resgataram de carro. Eles pensaram estar seguros, mas foram levados detidos para Giwa.

Dije passou cinco semanas detida com os filhos em uma cela com outras 130 pessoas, entre mulheres e crianças. Após vários interrogatórios, ela foi solta e levada a um campo de refugiados onde estão 8 mil pessoas. Ela não sabe do paradeiro do marido. A última vez que o viu foi rapidamente, através da janela de uma cela, quando estava sendo levada para mais um interrogatório. Desde então, não tem mais notícias dele. “Eu simplesmente entreguei para Deus”, disse ela, em entrevista ao New York Times.

Fontes:
The New York Times-Nigeria Is Freeing Children From Boko Haram, Then Locking Them Up

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