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DITADURA DE PINOCHET

Exército do Chile destitui coronéis por saudação a brigadeiro da ditadura

Coronéis foram destituídos após homenagem ao brigadeiro Miguel Krassnoff Martchenko, que atuou junto a Pinochet e hoje cumpre pena de 668 anos de prisão

Exército do Chile destitui coronéis por saudação a brigadeiro da ditadura
Homenagem ocorreu nas dependências da Escola Militar do Chile (Foto: Wikimedia)

O Exército do Chile destituiu e transferiu dois altos militares à reserva por uma homenagem ao brigadeiro Miguel Krassnoff Martchenko, que atuou sob o comando do ditador Augusto Pinochet, durante a ditadura chilena. Os coronéis Germán Villarroel, diretor da Escola Militar do país, e Miguel Krassnoff Bassa, filho de Martchenko e diretor de Idiomas da escola, foram removidos de seus cargos.

A homenagem ocorreu no dia 6 de outubro, mas só veio à tona na última sexta-feira, 12. Em meio a uma competição esportiva nas dependências da Escola Militar, Krasnsnoff Bassa tomou a palavra, exaltou o papel de seu pai e agradeceu “o carinho, a lealdade e a dignidade do diretor da Escola Militar, com o subdiretor e todo o seu pessoal, (…), de poder recordar o soldado, porque nem todos se lembram”.

Ao vir a público, a homenagem despertou uma onda de críticas ao Exército. Parlamentares chilenos de direita e de esquerda se posicionaram contrários à homenagem ao militar reformado, que cumpre pena de 668 anos de prisão por sua atuação na ditadura de Pinochet.

Antes da expulsão ser determinada, o ministro da Defesa chileno, Alberto Espina Otero, usou as redes sociais para repudiar a homenagem. Integrante do conservador governo de Sebastián Piñera, Espina já havia afirmado que uma investigação seria aberta.

“Os eventos que ocorreram na Escola Militar são inaceitáveis. A investigação do Exército foi solicitada para determinar as responsabilidades. Recintos militares como nenhum espaço administrado pelo Estado podem ser usados ​​para realizar atos a condenados pela Justiça por crimes”, escreveu no Twitter.

O general Miguel Alfonso Bellet, comandante de Educação e Doutrina do Exército chileno, também fez duras críticas à atuação dos coronéis. Para Bellet, a ação provoca um “gravíssimo dano” ao Exército. “Nossa instituição é e sempre será respeitosa com as resoluções da Justiça”, afirmou o general, segundo noticiou o El País.

Mesmo 28 anos após o fim da ditadura de Pinochet, que perdurou entre 1973 e 1990, o Chile continua punindo os responsáveis. Miguel Krassnoff Martchenko, de 75 anos, por exemplo, atuou na Direção Nacional de Inteligência (Dina), a polícia repressiva da época, e está preso há mais de 15 anos.

Em agosto deste ano, o então empossado ministro da Cultura, Mauricio Rojas, foi retirado do cargo, no qual estava há apenas quatro dias, por questionar a validade do Museu da Memória e dos Direitos Humanos, que foi inaugurado em 2010, em homenagem às vítimas da ditadura chilena. As declarações de Rojas não foram bem recebidas, sendo interpretadas como uma relativização dos crimes da ditadura.

Segundo um relatório anual do Centro de Direitos Humanos da Universidade de Diego Portales, o Supremo Tribunal chileno concluiu, nos últimos oito anos, 214 processos relacionados a violações de direitos humanos durante a ditadura de Pinochet. Foram responsabilizados 532 agentes, sendo que 462 foram condenados à prisão.

O Chile viveu uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina. A Comissão da Verdade do país apontou que 40.018 cidadãos chilenos foram vítimas de algum tipo de violação de direitos humanos. Ademais, 3.065 pessoas foram mortas ou desapareceram durante a ditadura.

 

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Fontes:
El Pais-Chile destitui coronel por saudação a genocida da ditadura Pinochet em ato
O Globo-Chile destitui diretor de Escola Militar que homenageou sequestrador da ditadura

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3 Opiniões

  1. Renato disse:

    Falar bem do assassino Che Guevara pode

  2. Almanakut Brasil disse:

    Enquanto isso a comunista Michelle Bachelet está levando a ong ONU para o fundo do poço!

  3. Almanakut Brasil disse:

    Bolsonaro recebe nessa tarde senadores chilenos – 17/10/2018

    A senadora é muito conhecida por sua intensa militância anti-aborto e em defesa de membros da polícia e forças armadas chilenas.

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