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Expansão do Canal de Suez divide opiniões no Egito

Economistas questionam a necessidade da obra massiva. Políticos defendem os benefícios que trará ao país

Expansão do Canal de Suez divide opiniões no Egito
Antes da expansão, o canal de Suez estava operando abaixo de sua capacidade de 78 navios por dia (Foto: Wikipedia)

O ato em si é impressionante. Em apenas um ano – um terço do tempo que os engenheiros previam – o Egito moveu areia o suficiente para permitir que uma quantidade maior de navios grandes passe de forma mais rápida por uma das rotas cruciais do comércio mundial, o Canal de Suez.

Como jogada política, a obra não é menos grandiosa. Desde que chegou ao poder, em julho de 2013, o presidente egípcio Abdel-Fattah AL-Sisi ofereceu uma barganha: em troca da diminuição de liberdades políticas, ele traria estabilidade e progresso ao país. Não é surpresa então que seu governo tenha declarado um feriado para a grande inauguração do Novo Canal de Suez, como o projeto é chamado.

Para incentivar o orgulho ao projeto, o Ministério de Assuntos Religiosos instruiu que os sermões das mesquitas citem a passagem em que o Profeta Maomé cava uma trincheira para defender Medina de atacantes.

Em termos econômicos, porém, a expansão do Canal de Suez é um esforço questionável em uma época em que o governo está tendo dificuldades para prover serviços adequados a seus cidadãos. É verdade que o canal é uma grande fonte de renda. Ano passado ele injetou Us$ 5,5 bilhões em uma economia enfraquecida por anos de conflito. Apesar disso, tanto a verba gerada pelo canal quanto o número de navios que passam por ele não tiveram aumentos significativos desde 2008.

Antes da expansão, o Canal de Suez estava operando abaixo de sua capacidade de 78 navios por dia. Já tinha capacidade para todos os navios, com exceção dos imensos tanques de petróleo. Pela estimativa de um economista egípcio, o limite de crescimento de renda que o novo canal permite, com a passagem de navios petroleiros levemente maiores, chega a apenas US$ 200 milhões por ano. Entusiastas dizem que mais navios vão utilizar a passagem porque a nova reforma permite transito de mão dupla mais eficiente. Economistas argumentam que para navios que já utilizavam o canal e evitavam até 10 dias no mar, algumas horas a menos de transito pelo canal faria pouca diferença.

Fontes:
The Economist - A bigger, better Suez Canal

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