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RELIGIÃO E POLÍTICA

Extremismo religioso avança na Indonésia

Uma eleição de governadores pode acabar com o histórico de tolerância religiosa do país, provando que políticos não hesitam em manipular a religião

Extremismo religioso avança na Indonésia
O resultado da eleição é uma derrota para a tolerância, motivo de orgulho do país até agora (Foto: Wikimedia)

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Primeiro, foram as notícias falsas: um vídeo manipulado que faz parecer que o governador de Jacarta, um chinês cristão, estava desrespeitando o Corão. Depois, protestos lotando o centro da cidade com muçulmanos revoltados. Então, as acusações de blasfêmia pela polícia, que, pressionada, se posicionou contra o governador, Basuki Tjahaja Purnama, mais conhecido como Ahok. Uma eleição aparentemente simples logo se transformou num referendo sobre o papel do islã na política indonésia. Era permissível que um cristão ocupasse o segundo maior cargo em um país predominantemente muçulmano?

No dia 19 de abril, os eleitores decidiram: não. Ahok, que antes tinha a clara vantagem e ganhou o primeiro turno em fevereiro, perdeu no segundo turno por 58% a 42% para Anies Baswedan. Apesar de Anies ter elogiado seu rival em seu discurso de vitória, durante a campanha seus atos foram claramente voltados para agradar o público preconceituoso e extremista.

O resultado da eleição é uma derrota para a tolerância, motivo de orgulho do país até agora. Por décadas, formas menos tolerantes do islamismo têm se infiltrado no país. Ao apoiar Ahok nas eleições, o presidente do país, Joko Widodo, foi cuidadoso em manter o respeito aos seus adversários. O outro lado não teve a mesma cortesia, exibindo slogans como “Morte aos cristãos, cadeia a Ahok”.

As eleições para governador deu aos políticos uma simples estratégia para chegar ao poder: incentivar fervor religioso com acusações falsas ou reais de insultos ao islã.

Fontes:
The Economist-Indonesia has been mercifully resistant to extremism—until now

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