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Falta pesquisa sobre o desenvolvimento da orientação sexual nas mulheres

Um artigo de Megan Cartwright, membro da Associação Americana para o Avanço da Ciência, discute a falta de pesquisas sobre o assunto

Falta pesquisa sobre o desenvolvimento da orientação sexual nas mulheres
Em abril deste ano, o psicólogo Qazi Rahman e Andrea Burri da King's College, em Londres, conduziram um estudo sobre a genética da orientação sexual das mulheres (Foto: Pixabay)

Segundo um artigo divulgado na revista Slate, 22 anos depois da primeira pesquisa que ligava a orientação sexual dos homens a determinados genes no cromossomo X, os pesquisadores estão começando a fazer progressos em descobrir a biologia por trás da orientação sexual nas mulheres.

Em abril deste ano, o psicólogo Qazi Rahman e Andrea Burri da King’s College, em Londres, conduziram um estudo sobre a genética da orientação sexual das mulheres. Ao comparar os padrões de orientação e de comportamento sexual em gêmeos idênticos e não-idênticos, os pesquisadores descobriram que as diferenças nos genes devem explicar algo (mas não muito) sobre como a orientação se desenvolve em mulheres. Mas os genes exatos – e outros fatores importantes- continuam sendo um mistério.

A questão no passado

No final do século XIX, pesquisadores como o sexólogo Richard von Krafft-Ebing pensavam que o comportamento homossexual era um defeito no desenvolvimento saudável. Historicamente, portanto, os cientistas presumiram que as mulheres homossexuais eram como os homens gays: “anormais”. Essa crença evoluiu para a percepção de que os gays eram um terceiro sexo – percepção que influenciou pesquisas por décadas, de acordo com um artigo recente pelo geneticista Tuck Ngun da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Mas a sexualidade da mulher não estava se comportando como deveria, ou seja, como a sexualidade masculina. Isso não quer dizer que os sexos humanos são irremediavelmente diferentes. Em meados dos anos 1990, os cientistas descobriram que ser gay, como ser alto ou magro, é parcialmente hereditário em homens e mulheres. E em 2000, pesquisadores americanos e australianos descobriram que 92% dos homens e 92% das mulheres se identificam como exclusivamente héteros frente a escala de sete pontos sobre orientação sexual, de Alfred Kinsey. As diferenças entre os sexos apareceram nos outros 8%: a maioria dos homens não-heterossexuais se aglomeram no extremo da escala Kinsey, como exclusivamente gay. Já a maioria das mulheres não-heterossexuais se aglomeram perto da reta final, com apenas uma pequena fração exclusivamente gay.

Amparado por dados iniciais que mostram que ser gay é hereditário, os cientistas olharam para a ligação entre orientação sexual e genes. Eles encontraram uma ligação ao cromossomo X, em homens, mas não nas mulheres. Enquanto os homens permanecem em grande parte com a mesma orientação sexual, seja ele hétero, bissexual ou gay, um estudo, realizado em 2003, revelou que as mulheres se movem entre categorias ao longo de sua vida.

A pesquisa nos dias de hoje

Estudar a biologia da orientação sexual é difícil. Além disso, dá muito trabalho recrutar objetos de pesquisa suficientes, especialmente quando os indivíduos são uma minoria que é alvo de discriminação. Mas, segundo a professora de psicologia Meredith Chivers, da Queens University, no Canadá, o maior obstáculo em fazer este tipo de trabalho é o apoio institucional no nível da universidade e do governo, especialmente nos Estados Unidos. Pesquisadores muitas vezes têm dinheiro suficiente apenas para estudar um sexo. E eles geralmente escolhem o masculino. A falta de pesquisa sobre a orientação das mulheres é “um reflexo de um padrão mais amplo na ciência, e da sociedade em geral”, diz Ngun. Historicamente, diz Chivers, a investigação sobre a orientação sexual era “muito povoada por cientistas do sexo masculino”. Como o psicólogo britânico Rahman diz, a “pesquisa é a ‘procura de si mesmo’”.

 

Fontes:
Slate-Where’s the Scientific Research Into How Sexual Orientation Develops in Women?

2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Platão tenta explicar isso em um de seus diálogos: a opção de fazer o ser humano (animais superiores) com os dois sexos foi tentada pela natureza (mutação) e foi rejeitada. Os homossexuais de todos os matizes são a prova da evolução.

  2. ney disse:

    Cientsta idiota e artigo patrocinado.
    Não temos esse direito, o Criador do Homem já fez tudo perfeito e naturalmente normal.

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