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DESIGUALDADE DE RENDA

Famílias pobres podem levar 150 anos para atingir renda média

A desigualdade de renda é ainda maior em países latino-americanos, como Brasil e Colômbia, segundo relatório da OCDE

Famílias pobres podem levar 150 anos para atingir renda média
Famílias brasileiras podem demorar até nove gerações para alcançar a renda média do país (Foto: Wikimedia)

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Uma família pobre pode demorar cerca de 150 anos para atingir a renda média de um país. As informações são do novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta sexta-feira, 15, que analisou 30 países.

O tempo varia de acordo com a nação. Em países nórdicos, por exemplo, o relatório aponta que as famílias mais pobres demoram cerca de duas ou três gerações até alcançarem a renda média. Enquanto isso, nos países emergentes isso pode demorar até nove gerações de uma mesma família. A média dos países, segundo a OCDE, ficou em quatro gerações e meia.

Isso porque os países nórdicos conseguem somar a baixa desigualdade de renda à alta mobilidade social. Enquanto isso, as nações latino-americanas, por exemplo, apresentam um quadro invertido, com alta desigualdade e baixa mobilidade. Na Dinamarca, as famílias precisam de apenas duas gerações, enquanto que no Brasil são necessárias nove gerações e na Colômbia – o pior dos 30 países – são necessárias 11 gerações.

Outro dado importante do relatório é que, em média, uma em cada três crianças com pais com baixos rendimentos também terá um salário abaixo da média. “Muitas pessoas sentem que estão sendo deixadas para trás e seus filhos têm poucas chances de progredir”, afirmou Gabriela Ramos, chefe de gabinete da OCDE.

De acordo com o relatório, desde os anos 1990, a desigualdade de renda aumentou, com menos pessoas das classes mais baixas da sociedade ascendendo, enquanto as mais ricas conseguiam manter suas fortunas. Isso porque, a possibilidade de crescimento, segundo a OCDE, era uma realidade para os nascidos entre 1955 e 1975, mesmo com pais com baixa escolaridade. No entanto, o cenário não se repetiu a partir de 1975. “Precisamos garantir que todos tenham a oportunidade de ter sucesso, especialmente os mais desfavorecidos, e que o crescimento se torne verdadeiramente inclusivo”, apontou Gabriela Ramos.

Para diminuir a desigualdade de renda, a OCDE reuniu oito diretrizes que podem ajudar a lidar com o problema, aumentando a mobilidade social: a criação de políticas familiares que permitam um equilíbrio entre responsabilidades familiares e de trabalho; o investimento público para melhorar o cuidado com crianças e evitar desistência nas escolas; impostos progressivos e sistemas de benefícios que limite as desigualdades; proteger as pessoas contra perda de renda após desemprego, divórcio e nascimento de bebês; adaptar o sistema previdenciário às novas formas de emprego; combinar adequadamente a renda com políticas de mercado de trabalho; garantir oportunidades iguais entre as crianças; e mitigar as consequências de situações adversas da vida.

O relatório A Broken Social Elevator? How to Promote Social Mobility integra a Iniciativa de Crescimento Inclusivo, da OCDE, que reúne indicadores e ferramentas para orientar os governos a lidarem com as desigualdades.

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