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FBI realiza maior operação antimáfia da história

Na última década, combate ao terrorismo desviou atenção de luta contra o crime organizado

FBI realiza maior operação antimáfia da história
A ação mobilizou 800 agentes federais, estaduais, locais em diversos estados e na Itália

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O crime organizado levou um duro golpe dos agentes federais na penúltima semana de janeiro, na maior operação antimáfia da história do FBI. Nada menos que 127 pessoas ligadas à máfia foram acusadas de uma série de crimes que incluem assassinatos e tráfico de drogas, além de crimes tradicionais da máfia, como jogo ilegal e extorsão. A operação atingiu as borgatas ou “famílias” de Nova York (Genoveses, Colombo, Gambino e Lucchese), além do clã DeCavalcante, de Nova Jersey, e uma família da Nova Inglaterra. A ação mobilizou 800 agentes federais, estaduais, locais em diversos estados e na Itália.

Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, as investigações sobre a máfia perderam espaço para o combate ao terrorismo e aos crimes de colarinho branco. Isso não significa, no entanto, que as acusações não sejam sérias. Duas pessoas foram assassinadas por um drinque derramado em um bar. Eric Holder, o promotor-geral, também afirmou que as operações da máfia podem “impactar a economia norte-americana negativamente”, por meio de esquemas fraudulentos, e da imposição de “tarifas mafiosas” nos portos e terrenos de construção, além da “taxa de proteção” imposta aos pequenos negócios.

Apesar de décadas de perseguições legais que desmontaram ou isolaram algumas famílias regionais, aquelas estabelecidas no noroeste ainda são poderosas e têm modos sofisticados de ganhar dinheiro, além de tendências violentas. A última operação, que prendeu um chefe e um consigliere, “manteve a liderança em estado de desordem”, diz Mark Feldman, um ex-promotor. A máfia não tem o poder de outros tempos, mas, se não for observada de perto, pode voltar a crescer, graças a seu talento para se organizar e recrutar novos membros, mesmo em tempos de escassez de talentos.  

Filmes como “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”, e seriados como “Família Soprano” e “Boardwalk Empire” glamorizaram a máfia, e figuras como John Gotti, conhecido como o “Teflon Don” (por sua habilidade de evitar conexões com seus crimes) reforçaram essa imagem. Um gângster certa vez caminhou pelo Greenwich Village vestindo seu robe de banho. Os capos atuais são mais discretos. Poucos dos presos na operação eram conhecidos fora de seus círculos internos.

A operação também serviu para lembrar a população de que a máfia não é inofensiva. Infelizmente, no entanto, os apelidos e nomes de guerra de alguns dos detidos – Tony Bagels, Vinny Carwash (“Vinny lava-jato”), Johnny Pizza e Junior Lollipops (“Junior Pirulitos”) – geraram mais sorrisos que tremedeiras.

Fontes:
Economist - Borgata bust

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