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EXPLORAÇÃO SEXUAL

Filipinas se tornam polo de prostituição infantil online

Fatores históricos, tecnológicos e sociais fazem das Filipinas um centro mundial de produção de material pornográfico infantil

Filipinas se tornam polo de prostituição infantil online
As vítimas do sexo pornô virtual não confiam na polícia para pedir ajuda (Foto: ijm.org)

“No início ele era muito gentil, como um anjo”, disse uma jovem de 19 anos referindo-se ao homem que a introduziu no mercado pornográfico online nas Filipinas, “mas no final o comportamento dele era extremante cruel”. Nascida em uma família pobre e numerosa, aos 14 anos a jovem partiu da ilha de Mindanao acompanhada de um cafetão que prometeu pagar seus estudos. Em vez disso, ele a transformou em uma modelo de sexo pornô online. O grupo administrado por esse homem compunha-se de seis outras crianças, duas delas ainda pequenas. As crianças frequentavam a escola para melhorar o inglês e ganhavam dinheiro para comprar produtos de beleza, a fim de ficarem mais atraentes para os “clientes”. 

Histórias semelhantes são corriqueiras no Centre of Hope, um abrigo limpo e alegre, onde professores, assistentes sociais e psicólogos ajudam crianças e adolescentes a se recuperarem dos traumas dos abusos sexuais. O abrigo localiza-se nos arredores de Manila e está protegido por um portão sem placa, para que as gangues de criminosos e as famílias que exploraram as pobres vítimas não o encontrem.

Sherryl Loseno da Visayan Forum Foundation, a organização beneficente que administra o centro, disse que o problema da exploração sexual online é gravíssimo. Dos bilhões de pesquisas online de pornografia que ocorrem no mundo inteiro todos os meses, as que envolvem crianças representam apenas uma pequena parcela. Mas, assim mesmo, é um negócio lucrativo e perverso.

Segundo Hans Guyt de Terre des Hommes, uma organização beneficente holandesa que investiga casos de abuso sexual online, é impossível obter informações precisas sobre o número de vítimas nas Filipinas. Mas os sites e salas de bate-papo pornôs exibem fotografias, vídeos e transmissões ao vivo com animais, crianças e bebês, com um conteúdo cada vez mais pervertido. 

De acordo com especialistas, as Filipinas são um centro mundial de produção desse material devido a fatores históricos, tecnológicos e sociais. O alto nível de conhecimento de inglês, uma herança do período em que o país foi colônia dos EUA, facilita a comunicação com os clientes. A rápida disseminação da internet, a qual 55% dos filipinos têm acesso, significa que não existe um limite geográfico de atuação.

As vítimas do sexo pornô virtual e os que suspeitam de irregularidades não confiam na polícia para pedir ajuda. As Filipinas são o país da Ásia com o maior número de viciados em metanfetaminas e anfetaminas. Esses viciados muitas vezes se envolvem em atividades ilícitas, sobretudo no mercado lucrativo da pornografia, para comprar drogas.

O problema é extremamente complexo. A idade de consentimento sexual nas Filipinas é de apenas 12 anos. Se o governo elevasse essa idade para 16 anos, os que criassem conteúdo pornográfico com menores de 16 seriam punidos por estupro, um crime sujeito a penas mais severas do que prostituição.

Mas as vítimas do Centre of Hope sugerem medidas mais simples. Palestras nas escolas de conscientização dos jovens seriam muito úteis. Algumas jovens viajaram para o exterior a fim de contarem sua experiência e atrair a atenção para o problema das Filipinas. Uma delas gostou tanto da viagem aos EUA que decidiu ser comissária de bordo. Porém, nem todas têm um final feliz.

Fontes:
The Economist-The Philippines is a global hub for child pornography

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