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RELATÓRIO

Fome extrema atinge mais de 113 milhões no mundo

Número é ligeiramente menor do que em 2017. Segundo agências, principais causadores são conflitos armados, choques climáticos e turbulência econômica

Fome extrema atinge mais de 113 milhões no mundo
O número de países atingidos pela fome extrema aumentou para 53. Em 2017, eram 42 países (Foto: Stefanie Glinski/FAO)

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Cerca de 113 milhões de pessoas, espalhadas em 53 países, enfrentam “insegurança alimentar aguda” – quando a impossibilidade de consumir alimentos adequados coloca a vida da pessoa em risco. Ao todo, 821 milhões de pessoas passam fome, em diferentes níveis.

A conclusão é de um relatório divulgado, em conjunto, pela União Europeia (UE), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) na última terça-feira, 2. Os números dizem respeito ao ano de 2018.

O número é ligeiramente inferior ao constatado em 2017, que revelou que 124 milhões de pessoas estavam nesta situação. Em contrapartida, o número de países atingidos pela condição aumentou – em 2017 eram 42.

“É evidente no relatório global que, apesar de uma ligeira queda em 2018 no número de pessoas com insegurança alimentar aguda – a forma mais extrema de fome – o número ainda é alto demais. Devemos agir em escala em todo o desenvolvimento humanitário para construir a resiliência das populações afetadas e vulneráveis. Para salvar vidas, também temos que salvar os meios de subsistência”, explicou José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO.

As populações de oito países, espalhados pela região da África, Oriente Médio e Ásia Ocidental, correspondem a quase dois terços das pessoas que enfrentam a fome extrema no mundo – aproximadamente 72 milhões de pessoas. São eles, em ordem de severidade: Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Etiópia, Síria, Sudão, Sudão do Sul e a região norte da Nigéria.

Em outros 17 países a fome extrema permaneceu estável ou aumentou. Ademais, 42 países estão próximos de enfrentar a fome extrema. O relatório das agências, porém, não conta com dados da Coreia do Norte e da Venezuela por falta de informações.

De acordo com o relatório, os principais causadores dos problemas da fome no mundo são os conflitos, os choques climáticos e a turbulência econômica. Aproximadamente 74 milhões de pessoas que enfrentam a insegurança alimentar aguda vivem em 21 países assolados por conflitos armados.

Destas, 33 milhões vivem em dez países da África, mais de 27 milhões vivem em países do Oriente Médio e da Ásia Ocidental, 13 milhões em três países do sul e do sudeste do continente asiático e 1,1 milhão vivem na Europa Oriental.

Enquanto isso, 29 milhões de pessoas vivem em países que precisam lidar com as constantes mudanças climáticas e os desastres naturais. Destas, 23 milhões estão espalhadas em 20 países da África. Já em termos de turbulência econômica, 10,2 milhões de pessoas são atingidas, especialmente no Burudi, Sudão e Zimbábue.

“Para realmente acabar com a fome, devemos atacar as causas básicas: conflito, instabilidade, o impacto dos choques climáticos. Meninos e meninas precisam ser bem nutridos e educados, as mulheres precisam ser verdadeiramente fortalecidas, a infraestrutura rural deve ser fortalecida para cumprir essa meta do Fome Zero. Os programas que tornam a comunidade resiliente e mais estável também reduzirão o número de pessoas famintas, e uma coisa que precisamos que os líderes mundiais também façam: avançar e ajudar a resolver esses conflitos, agora mesmo”, afirmou David Beasley, diretor-executivo da PMA. 

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