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CIÊNCIA

Fones de ouvido contêm milhares de fungos e bactérias

Entre os fatores de contaminação, estão a falta de higienização dos fones e o compartilhamento do dispositivo

Fones de ouvido contêm milhares de fungos e bactérias
Compartilhar o fone com outra pessoa não é indicado (Foto: Pixabay)

Fones de ouvido são ótimos para quem gosta de ouvir música sem incomodar os outros. O mesmo serve para os headfones, modelos que circundam a orelha sem a necessidade de serem introduzidos no ouvido.

No entanto, eles podem conter milhares de fungos e bactérias, responsáveis por causar desde coceiras até infecções mais graves, como indicou uma pesquisa da faculdade de biomedicina da Devry Metrocamp, em Campinas (SP). Em 40 fones (sendo dez headfones) analisados durante três meses, foram encontrados cerca de 10 mil fungos e bactérias. Entre os fatores de contaminação, estão a falta de higienização dos fones e o compartilhamento do objeto.

Segundo a coordenadora do estudo Rosana Siqueira, os fones eram de jovens e adultos, que costumavam emprestá-los e não tinham o hábito de limpá-los. Em 87% dos casos foi encontrada uma contaminação em maior quantidade, inclusive da bactéria staphylococcus aureus, responsável por infecções de pele e infecções das vias aéreas superiores, como otites.

“Se os microrganismos invadirem a região mais interna do ouvido, podem atingir os nervos auditivos, e isso pode afetar o sistema nervoso central e pode ocasionar, em alguns casos, a meningite. Tem que tomar cuidado, principalmente as crianças, que o sistema imunológico ainda está em formação, e idosos também. As pessoas que já tenham uma predisposição”, alerta a pesquisadora.

Entre os fungos encontrados também estava o candida ssp, que pode provocar infecções oportunistas no organismos de pessoas com imunidade baixa. Todos os headfones tinham a presença de staphylococcus, mas como sua presença era em menor quantidade, seu uso é um pouco mais seguro do que o fone convencional, segundo a pesquisadora.

Compartilhar o fone com outra pessoa não é indicado, já que os microrganismos e a flora auditiva variam de pessoa para pessoa. Além disso, há o risco de pegar uma infecção.

Para piorar, o tratamento dos problemas provocados pelos fones não são simples. As infecções podem se tornar crônicas. “São bastante incômodas e difíceis de serem tratadas. A primeira coisa é procurar um otorrino se estiver sentido dor de ouvido, coceira excessiva, diminuição de audição. Se o condutor auditivo estiver inflamado, ele incha. Tem a sensação de que o canal está mais estreito. Pode ter uma secreção geralmente não fétida e, às vezes, a dor é ao tocar. Se ignorar os sintomas pode acontecer um desconforto muito grande, muitas vezes insuportável”, explica o otorrinolaringologista Bruno Bernardo Duarte.

A higienização dos fones deve ser feita com álcool isopropílico, que não danifica aparelhos eletrônicos. Com um cotonete ou pedaço de algodão, o usuário deve limpar o fone e os fios. O ideal é fazer isso todos os dias, antes e depois do uso, ou no mínimo uma vez por semana.

Fontes:
G1-Pesquisa encontra 10 mil fungos e bactérias em fones de ouvido; há risco de otites e até perda de audição

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1 Opinião

  1. olbe disse:

    Devemos compartilhar..interesse público

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