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Educação Francesa

França é repreendida pelo Conselho da Europa por não proibir palmadas

O Conselho da Europa afirmou que as leis francesas 'não preveem a proibição de forma suficientemente clara, firme e precisa dos castigos corporais'

França é repreendida pelo Conselho da Europa por não proibir palmadas
Segundo a jurisprudência francesa, os pais têm 'o direito de exercer a disciplina” na educação de seus filhos' (Reprodução/Alamy)

Em 4 de março o Conselho da Europa, uma organização internacional cujo objetivo é a defesa dos direitos humanos, do desenvolvimento democrático e da estabilidade político-social, repreendeu a França por não ter ainda proibido o castigo corporal de crianças. Como signatária da Carta Social Europeia, a França precisa garantir que “as leis do país proíbam e penalizem todas as formas de violência contra crianças”.

O Conselho da Europa afirmou que as leis francesas “não preveem a proibição de forma suficientemente clara, firme e precisa dos castigos corporais”. A decisão não indica nenhuma medida obrigatória e nenhuma punição está prevista, mas chama atenção e expõe as profundas diferenças culturais referentes à educação de crianças. Para as associações que lutam contra os castigos corporais, caso a França não altere a sua legislação, a próxima etapa é levar o caso a Corte europeia de direitos humanos.

Embora a opinião em relação a esse costume tenha mudado ao longo dos anos, não existe uma proibição ou preconceito contra um pai que dá uma palmada forte em uma criança em um lugar público. Segundo a jurisprudência francesa, os pais têm “o direito de exercer a disciplina” na educação de seus filhos.

Para os defensores desse direito, um “pequeno tapa ou uma palmada” não significa violência ou maus-tratos. Em algumas ocasiões pode ser até um “gesto de amor”, disse Thierry Vidor, diretor do Familles de France, um grupo lobista, à televisão francesa. De acordo com uma pesquisa da TNS-Sofres, 67% dos pais franceses admitiram que haviam dado ao filho une fessée, ou uma palmada nas nádegas. Quando Edwige Antier, um pediatra e político, propôs a criação de uma lei proibindo o castigo corporal há alguns anos, 82% dos franceses opuseram-se à ideia.

Fontes:
Economist-A rap on the knuckles
Le Monde-Gifles et fessées: la France condamnée

4 Opiniões

  1. olbe disse:

    Concordo totalmente com Sonia. na Holanda as crianças assim que são alfabetizadas aprendem o número de telefone que devem ligar se o pai ou a mãe bater neles…

  2. SONIA disse:

    Sabem, fico pensando na relatividade de tudo isto. De um lado, lembro daquela maldita mulher que espancou seu próprio filho, levando-o a óbito; lembro de um homem que conheço que apanhou muito do pai e hoje é um modelo de insegurança e instabilidade emocional; lembro das histórias que minha tia contava, quando éramos crianças, a respeito das palmadas na educação dos filhos. Histórias de dor e revolta, humilhações e melancolia. Lembro especialmente da história de um filho, cujo pai educava na base do chicote – apanhou muito e suicidou-se. Nas penitenciárias a esmagadora maioria apanhou quando pequenos. Na conversa casual com um taxista, vangloriando-se de bater nos filhos “para a vida não bater neles…”. Soube depois que 4 dos seus 5 filhos resvalaram para uma vida de criminalidade. Nas páginas policiais, os exemplos proliferam: pais que desferem nos seres indefesos suas agressividades, amarguras e revoltas, quando não adentram os terrenos pantanosos da crueldade exacerbada. Em nome da educação? Que educação é esta, que cria seres deformados emocionalmente, que impele suas ações empurrada pelos seus instintos primários?
    Por outro lado, conheço muitos lares onde filhos bem-estruturados relatam ter apanhado de seus pais e externam seus agradecimentos às palmadas, como base para sua conduta atual. Nestes relatos, as surras tanto foram leves como pesadas e cruéis. Dos pais, nunca escutei que bateram em seus filhos sem alguma carga emocional: “fizeram tanta bagunça que me tiraram do sério” “me desobedeceu, bato na hora” “eu disse a eles para não fazerem barulho”… e por ai vai. Parece-me perceber que as palmadas sempre são desferidas quando acompanhadas de emoção. Seriam justas? Até onde podemos equilibrar nossas emoções?
    Talvez os governos, antes de debater sobre a Lei da Palmada, deveria atacar atos mais extremos, tal como a violência moral, como disse a Regina Caldas. E ainda mais adiante, debater uma educação mais humanizada, criar uma matéria nos currículos escolares onde se possa ensinar os valores humanos. Atacar o problema pela raiz.

  3. Regina Caldas disse:

    De acordo, sr revoltado. Do modo como ONU e governos submissos decidem sobre nossas vidas familiares, melhor não ter filhos.
    O mais trágico é que a ONU et caterva não abrem o bico para criticar a violência moral e física que crianças e mulheres sofrem nas regiões mais pobres. Hipócritas! Querem nos transformar em marionetes.

  4. Revoltado disse:

    até que enfim, um país de bom senso e não de idiotas!!! onde já se viu o governo vir se meter no modo como nossos filhos devem ser criados!!! absurdo!! então que paguem um seguro para cada família, pelo risco de criar indivíduos sem noção de limite e emponderados contra os próprios pais!! vamos processar nossos próprios filhos?? hem?? que tal?? bando de nazistas!! no nazismo era assim, lembram?? o fuhrer era tão onipresente, e desapareceu o poder e a autoridade paterna, que filhos era mini-nazistas, e denunciavam os próprios pais!!! IDIOTAS !!! da geração da palmada, que eu me lembre,. ninguém crescia fazendo rolezinho, ninguém crescia desajustado!!! uma boa palmada na hora certa conserta muitos problemas futuros e coloca as crianças em seu devido lugar!!! hoje é esse horror, crianças ofendendo os próprios país e totalmente debochados!! querem destruir o que ainda resta de família?? emponderem as crianças!! retirem o poder dos pais, que, hoje em dia, não passam de idiotas, que gastam OS TUBOS para colocar não um filho, mas um mero NOVO CONSUMIDOR no “mercado”. SIM, os idiotas que ainda pensam em ter filhos, digo isso nesse país de m… chamado BRASIL, estão a serviço dessa ralé!!! PARABÉNS AOS FRANCESES!!!

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