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FRANÇA

França investiga negligência policial no combate à violência doméstica

Investigação foi aberta após Macron testemunhar policial se recusando a prestar socorro a mulher ameaçada de morte pelo marido

França investiga negligência policial no combate à violência doméstica
Pelo menos 101 mulheres já foram mortas devido à violência doméstica na França em 2019 (Foto: Élysée/YouTube)

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As autoridades francesas abriram uma investigação depois que o presidente Emmanuel Macron ouviu uma ligação de violência doméstica na qual um policial se recusou a ajudar uma mulher em perigo.

A controvérsia surgiu depois que o presidente francês visitou a central de chamadas de emergência nacional, sediada em Paris, e ouviu silenciosamente as chamadas matinais com fones de ouvido.

Macron discordou da resposta do policial, mas não disse nada na linha – com o policial ignorando que o presidente estava ouvindo. O episódio coincidiu com o lançamento da nova política do governo francês de combate à violência doméstica.

Críticos argumentam que o governo não está fazendo o suficiente para combater a violência doméstica e manifestantes tomaram as ruas de Paris no fim de semana passado para condenar o 100º feminicídio na França neste ano.

Na ligação, Macron ouviu uma mulher angustiada que havia decidido deixar o marido abusivo e disse a um dos operadores da linha direta que a polícia se recusava a acompanhá-la até sua casa para recolher seus pertences.

A mulher de 57 anos, que estava na delegacia de polícia local, disse que seu marido violento ameaçou matá-la após anos de intensos abusos em casa e que ela precisava sair.

Ela disse que entrou com uma queixa policial, mas pediu que a polícia a acompanhasse até sua casa – devido ao medo de que o marido a matasse -, mas eles negaram o pedido.

O operador tranquilizou a mulher: “Você está na delegacia? Seu marido está em casa. A polícia pode acompanhá-la”. Mas a mulher explicou que a polícia estava se recusando a acompanhá-la – levando o operador a pedir para falar com o policial.

Um oficial da polícia militar entrou na linha e o operador da linha direta tentou convencê-lo a ajudá-la em um telefonema que durou 15 minutos. Mas o policial sustentou que não era seu papel se envolver – alegando incorretamente que ele precisaria de uma ordem judicial para escoltar a mulher.

“Esta mulher está ameaçada de morte, você está esperando até que ela seja realmente morta?”, disse o operador em um momento. Após a ligação, Macron perguntou: “Isso acontece com frequência?”.

Macron disse ao operador da linha direta, que direcionou a mulher para um grupo de apoio, que o trabalho da polícia é proteger as vítimas e que a resposta problemática não surgiu de um problema com a lei, mas estava ligada a um treinamento inadequado.

Cerca de 121 mulheres foram mortas na França por um atual ou ex-parceiro no ano passado e pelo menos 101 mulheres foram mortas até agora este ano.

A França é um dos países europeus com o maior número de mulheres mortas por um parceiro atual ou ex-parceiro, de acordo com dados da União Europeia de 2017, que colocam o país em segundo lugar, atrás apenas da Alemanha.

Os protestos do último domingo contaram com manifestantes segurando placas mostrando os nomes das mulheres mortas por seu parceiro ou ex-parceiro entre janeiro e setembro de 2019. Uma mulher de 92 anos se tornou a vítima número 101 na última segunda-feira, 2, quando morreu após ser espancada pelo marido com a bengala.

Na última terça-feira, 3, o governo francês anunciou planos para criar 1.000 novos lugares em abrigos para as vítimas de violência doméstica, devido à indignação com os feminicídios no país. O feminicídio é definido como o assassinato de mulheres motivado por gênero.

“Durante séculos as mulheres foram enterradas sob nossa indiferença, negação, descuido, machismo milenar e incapacidade de encarar esse horror”, disse o primeiro-ministro, Edouard Philippe, na terça-feira, ao abrir uma grande consulta pública sobre violência doméstica.

Ele anunciou planos para uma legislação que permite o uso em larga escala de pulseiras eletrônicas para impedir que agressores domésticos se aproximem de suas vítimas.

Fontes:
Independent-Macron hears unwitting police officer refuse to help domestic abuse victim in danger while listening in on emergency hotline

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