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CAOS NA FRANÇA

França se prepara para semana de greve nos transportes

Ferroviários, funcionários do metrô e da aviação civil anunciaram greve em protesto contra reforma trabalhista proposta pelo governo

França se prepara para semana de greve nos transportes
Greve trabalhista já é uma das maiores registradas na França (Foto: Force Ouvrierè)

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A França está se preparando para enfrentar uma semana de greve no transporte público que promete tumultuar os deslocamentos no país.

Funcionários da rede ferroviária estatal SNCF anunciaram que vão entrar em greve na tarde desta terça-feira, 31. Com isso, a SNCF se junta a outros ferroviários e a funcionários do metrô de Paris que entraram em greve na última quinta-feira, 26.

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O caos nos transportes será complementado pela paralisação da Agência de Aviação Civil da França. Prevista para ocorrer entre os dias 3 e 5 de junho, ela deve gerar atrasos e cancelamentos de voos.

A paralisação nos transportes é mais um capítulo do embate entre as forças sindicais do país e o governo de François Hollande.

Os sindicalistas se opõem ao projeto de reforma trabalhista proposto por Hollande que tornará mais fácil para empresas contratar e demitir funcionários. Eles pedem o cancelamento da proposta. O governo, por sua vez, afirmou que não vai ceder à pressão.

A greve trabalhista já é uma das maiores registradas na França e vem gerando o caos no país. Na semana passada, seis das oito refinarias francesas paralisaram as atividades em protestos contra a reforma. A greve gerou escassez de combustíveis e motoristas iniciaram uma busca frenética por gasolina que provocou longas filas em postos de abastecimento.

O governo trabalha contra o tempo para encontrar uma solução, pois tem menos de duas semanas até o início da Euro 2016, torneio europeu de futebol que será sediado no país e está previsto para começar no dia 10 de junho.

A reforma trabalhista é uma tentativa desesperada do governo Hollande para conter a alta do desemprego, que beira os 10%. A França é conhecida por ter uma das mais rígidas leis trabalhistas e o governo acredita que mais flexibilidade trará mais emprego.

Porém, os líderes sindicais argumentam que a reforma vai minar a proteção ao trabalhador e não surtirá efeito contra o desemprego. Segundo uma pesquisa de opinião feita no último domingo, 29, pelo Journal du Dimanche, 46% da população é contra a reforma e 40% acham que ela deve sofrer alterações. Apenas 13% dos entrevistados responderam que a proposta deve ser aprovada sem alterações.

Os protestos ganharam adesão popular após o primeiro-ministro Manuel Valls utilizar uma manobra para acelerar a aprovação da proposta. Usando o artigo 49-3 da Constituição, Valls paralisou o debate sobre a reforma na Assembleia Nacional e moveu a proposta direto para Senado, onde ela será debatida entre os dias 13 e 24 de junho.

Fontes:
France 24-France braced for week of transport strike chaos

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