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François Hollande quer abolir a lição de casa

Presidente francês quer reformar o ensino médio e fundamental do país para estimular a igualdade de condições

François Hollande quer abolir a lição de casa
De acordo com pais e alguns educadores, a lição de casa não ajuda no desenvolvimento e gera estresse (Reprodução/Internet)

Durante um discurso realizado na universidade de Sorbonne, o presidente da França, François Hollande, declarou que deseja reformar o ensino médio e fundamental do país. Entre as mudanças que Hollande deseja implantar estão a diminuição da carga horária escolar, o investimento em escolas com baixo rendimento e o fim da lição de casa. A reforma tem como objetivo melhorar o ensino no país, que na última avaliação da The Economist Intelligence Unit, instituto de pesquisa filiado à revista Economist, ficou em 25°.

O fim da lição de casa, além de ser um sonho para os estudantes, é defendido por pais e alguns educadores, que afirmam que a tarefa não rende ganhos ao desenvolvimento escolar e contribui para o estresse. Porém, os motivos de Hollande para erradicar a lição de casa vão além do estresse. O objetivo do presidente é diminuir a desigualdade. Ele acredita que crianças cujos pais têm formação acadêmica suficiente para ajudar na lição, ganham vantagem sobre outras crianças.

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Como todo debate que envolve educação, o fim da lição de casa gera uma discussão inflamada. Segundo Harris Cooper, professor na Universidade Duke, nos EUA, a “guerra da lição de casa” não tem a ver com mudar o sistema de ensino, mas sim fazê-lo corresponder às expectativas da sociedade.

Atualmente, o país com o melhor sistema de ensino é a Finlândia, onde as crianças começam a frequentar a escola aos sete anos, a carga horária escolar é curta e não há lição de casa. Já a Coreia do Sul, segunda colocada da lista, é famosa por um sistema de ensino tão rígido que o governo teve de intervir tornando ilegal que escolas fiquem abertas após às 22 horas.

Os dois sistemas são tão bem sucedidos como diferentes. A questão chave é que as escolas finlandesas e sul-coreanas estão agindo de acordo com as expectativas da sociedade de cada país. Enquanto na Finlândia as escolas prezam pela igualdade de condições, a Coreia do Sul estimula trabalhadores árduos.

Hollande deseja se aproximar do método de ensino finlandês, mas só será bem sucedido se obter o apoio da sociedade francesa. O método de ensino deve ser adaptado à realidade de cada país. Resta saber que caminho os franceses desejam seguir.

Fontes:
The New Yorker-Today’s Assignment

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6 Opiniões

  1. André Luiz Duarte de Queiroz disse:

    Num primeiro momento considerei a proposta de Hollande uma sandice, uma demagogia bem ao estilo de políticos brasileiros (só faltava ele também instituir a “aprovação automática” a título de “não desmotivar os alunos repetentes”…!). Foi uma surpresa saber que o modelo educacional finlandês não adota o dever de casa e que a carga horária diária de ensino é relativamente curta. Porém, certamente há outros aspectos no modelo educacional finlandês que compensam o comparativamente menor tempo de aulas.

    No entanto, receio que essa proposta de reforma da Educação ainda se baseia em uma premissa falsa, de que “crianças cujos pais têm formação acadêmica suficiente para ajudar na lição ganham vantagem sobre outras crianças”; para mim, isso soa como um “devaneio ideológico”, sem um pé sequer na realidade.

    Espero, pelo bem das gerações futuras francesas, que essa ‘aventura’ do socialismo na presidência do país não se mostre desastrosa.

  2. Rudy Lang disse:

    Comunista é fogo. Os franceses já estão cansados de saber disso. Mais uma vez vão nivelar por baixo. Parece que o Hollande quer competir com um certo partido brasileiro.

  3. Carlos U. Pozzobon disse:

    Acho estranho que se fale de desigualdade a partir das diferentes condições intelectuais dos pais. Se eu sou matemático, e meu filho está cursando o ensino fundamental, naturalmente que ele vai estar melhor assessorado em casa e isto vai representar uma desigualdade com seus colegas. Mas se trata de uma desigualdade positiva. Exigir a igualdade por igualdade é de uma estupidez relinchante, pois implica em reduzir todos a um nível sempre mais baixo do que os recursos disponíveis à sua volta.

  4. Anselmo Heidrich disse:

    Entendi direito ou o presidente francês quer nivelar por baixo para diminuir a desigualdade?

  5. Ciro disse:

    Um modelo educacional que mantém as crianças durante seis horas por dia e ainda precisa passar lição de casa para que elas aprendam alguma coisa é um fracasso sem igual.

    Qualquer pessoa, ainda mais uma criança, que aprenda, aprenda verdadeiramente, durante seis horas por dia, em cinco anos será um gênio.

    O modelo instrucionista é o maior fracasso do ocidente!

  6. Riedell Riminsky Valerio disse:

    Cremos que a proposta do presidente francês reconsidere a experiência negativa de um sistema de ensino cujo conceito de civismo instituiu o rito sumário como o apoio popular como método de reforma social e projecione sua reformulação de acordo com conceitos de países cujo IDH elevado abrange a habilitação em metodologia não-extremista em questões de guerra mundial, o que significa a retirada da França da Guerra, por um longo interregno de um padrão finlandês ou mesmo sueco, antes que esses países se realinhassem com o padrão internacional menos evoluído em metodologia militar_

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