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Medicina Forense

Freeman Ranch: aterrorizante e necessário

Nem todos os cadáveres examinados pela ciência são enviados para as faculdades de medicina

Se não fosse pelo cheiro, você poderia pensar que estava em um jardim de esculturas. As figuras humanas espalham-se pelo local: algumas são esqueléticas, mas não a ponto de parecerem ocas; algumas são ainda mais abstratas, com o contorno visível dos ossos; uma mulher ainda ocupa um espaço normal, na verdade, de relance parece ter sido pintada por Fernando Botero. Mas não são esculturas. São cadáveres jogados sem uma ordem aparente no laboratório ao ar livre, ou “body farm”, do Forensic Anthropology Research Facility da Universidade do Texas, em Freeman Ranch (um dos quatro laboratórios existentes nos Estados Unidos), onde o processo de decomposição do corpo humano é examinado minuciosamente para a aprendizagem da polícia.

O diretor do centro de pesquisa, Daniel Wescott, não se opõe ao uso da palavra “cadáver” ou “corpo”. Mas prefere a palavra “doação”. E, na realidade, são doações de seus antigos proprietários para a ciência forense, ou doações para a ciência e a medicina em geral, de corpos que por serem gordos demais, esqueléticos ou doentíssimos, não têm outro uso além do estudo científico ou anatômico.

Mas para o Dr. Wescott esses seres humanos atípicos são extremamente interessantes. Eles fornecem variáveis em condições iniciais, que constituem o cerne de todas as experiências científicas, inclusive os experimentos em cadáveres. Outras variáveis referem-se à temperatura, à quantidade de chuva, sombra e proteção que o corpo precisa ter. E, em determinados casos, essa proteção é imprescindível porque, sem certas precauções, alguns urubus reduziriam um cadáver a um esqueleto em menos de cinco horas.

Fontes:
The Economist-Cold comfort farm

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