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Navegação Comercial

Frete de transporte marítimo de matérias-primas é o menor em 30 anos

A queda dos preços do transporte marítimo reflete o otimismo crônico das empresas de navegação comercial

Frete de transporte marítimo de matérias-primas é o menor em 30 anos
A queda do preço das tarifas do frete marítimo acompanhou a redução dos preços das ações das empresas de navegação (Reprodução/Internet)
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Esse declínio é mais um reflexo da situação difícil das empresas de navegação comercial (Reprodução/Economist)

Marinheiros experientes interpretam os voos rasantes das aves marinhas como um sinal seguro de uma tempestade iminente. Para alguns analistas o Baltic Dry Index (BDI), o índice que mede a variação dos custos do transporte marítimo de minério de ferro, carvão, grãos e outras matérias-primas, está enviando a mesma mensagem de tempestade iminente do albatroz que desliza sobre as ondas. Em fevereiro, o custo do frete foi o menor em 30 anos. Mas esse declínio é mais um reflexo da situação difícil das empresas de navegação comercial do que do crescimento econômico ou das perspectivas do comércio mundial. No entanto, o cenário é menos sombrio para os navios que transportam contêineres com mercadorias manufaturadas e dos petroleiros.

Novos indícios de desaceleração da economia da China surgiram esta semana. O crescimento em 2015 será de 7% ou talvez menos, em comparação com os percentuais de 7,7% em 2013 e 7,4% em 2014. A China é responsável por três quintos do transporte marítimo de minério de ferro do mundo, a carga mais comum de granéis sólidos, e por um quarto do carvão. Mas a previsão de um crescimento menor da China em 2015, não foi o único fator que influenciou a redução de dois terços do preço do frete marítimo avaliado pelo BDI em 2014. Clarksons, uma das maiores empresas de serviços marítimos do mundo, ainda tem esperança que as importações chinesas de minério de ferro aumentem 7,5% em 2015.

A queda do preço das tarifas do frete marítimo acompanhou a redução dos preços das ações das empresas de navegação, porque a capacidade de crescimento excedeu o aumento da demanda. A crise econômica já provocou a falência de algumas empresas. Copenship, uma empresa privada dinamarquesa, pediu concordata em fevereiro. O colapso da Genco Shipping em 2014 resultou em um dos maiores pedidos de falência dos Estados Unidos.

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A queda do preço das tarifas do frete marítimo acompanhou a redução dos preços das ações das empresas de navegação (Reprodução/Economist)

Antes da crise financeira mundial a demanda da China por matéria-prima parecia insaciável e os preços do transporte marítimo dispararam: em maio de 2008 o índice BDI registrou 11,793 pontos, um número vinte vezes maior do que seu valor atual. As empresas do setor de navegação comercial, incentivadas por esse aumento das taxas de frete, encomendaram novos navios. Mas, pouco depois, a crise global ocasionou uma enorme queda nas taxas e uma diminuição da demanda de transporte marítimo de cargas a granel. Em 2013, quando a situação econômica dava sinais de normalização, a China retomou as importações de carvão e o BDI começou a se recuperar. Diante desse cenário mais otimista, as empresas de navegação comercial fizeram novas encomendas de navios. Mas esse otimismo passageiro sofreu um novo baque, com a queda acentuada das importações de carvão da China. E nem mesmo as importações recordes de minério de ferro da China serão suficientes para absorver o número excessivo de navios, que estão saindo dos estaleiros.

Fontes:
Economist-Low rates on the high seas

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