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mutilação genital feminina

Fundação Desert Flower e a luta contra a MGF

Na segunda parte do especial ‘Mutilação genital feminina (MGF)’, o O&N entrevista Miriam Baghdady, da Desert Flower, fundação que trabalha pela erradicação da MGF

Fundação Desert Flower e a luta contra a MGF
A fundação revela histórias de mulheres que foram mutiladas e tem um papel ativo contra a MGF (Reprodução/Internet)

Na segunda parte do especial “Mutilação genital feminina (MGF)”, o Opinião e Notícia foi conhecer um pouco do trabalho da Desert Flower Foundation. Criada em 2002, pela modelo somaliana Waris Dirie, a fundação é uma das vozes mais ativas contra a MGF.

Leia mais: Mutilação genital feminina: conheça a origem dessa prática brutal

Em entrevista ao O&N, Miriam Baghdady, chefe de comunicações da Desert Flower, conta que a organização tem como meta a erradicação da MGF. “Acreditamos que isso seja possível ainda nesta geração”, diz.

Miriam explica que a MGF é uma prática que antecede o cristianismo e o islamismo. “Ela foi feita pela primeira vez no Egito Antigo. Atualmente ela é praticada na África e em alguns países do Oriente Médio, por conta de várias crenças equivocadas. Algumas sugerem que ela purifica a genitália feminina, considerada suja e impura”.

Segundo ela, muitos pais apoiam a mutilação de suas filhas porque, em tais culturas, meninas que não são mutiladas são consideradas prostitutas, o que elimina as chances da família encontrar um marido para a jovem e receber o dote do casamento.

Mas a prática tem sérias consequências para a saúde física e psicológica da mulher. “Logo após a mutilação, que é feita em condições precárias de higiene, há uma intensa perda de sangue, que pode ser acompanhada de inflamação, paralisia da bexiga e infecção sanguínea. Essas consequências podem levar à morte. Também há o risco de tétano e transmissão de HIV. Além do trauma de perder o desejo sexual, a mulher passa a sentir dores ao urinar, especialmente no período menstrual. Caminhar e sentar tornam-se movimentos dolorosos”, explica Miriam.

Waris Dirie: uma história de superação e luta

A modelo somaliana Waris Dirie é um ícone da luta contra a Mutilação Genital Feminina. Ela foi mutilada aos cinco anos, com o apoio da própria família, por uma mulher que utilizou materiais de condições precárias. Em depoimento, Waris revelou que, na hora da mutilação, desmaiou de dor. Ao acordar, estava com as pernas amarradas, para ajudar na cicatrização. Como mandava a tradição local, Waris foi deixada para se recuperar sozinha em uma cabana no meio da mata.

Em 1996, ela se tornou Embaixadora da ONU contra a MGF (Reprodução/Desert Flower)

Em 1996, ela se tornou Embaixadora da ONU contra a MGF (Reprodução/Desert Flower)

A partir de então, a modelo escolheu como missão de vida a luta contra a MGF. Aos 13 anos, ela fugiu de casa para escapar de um casamento arranjado com um homem de 60 anos. Waris vagou pelo deserto da Somália até os 18 anos, quando conseguiu ir para Londres, no Reino Unido. Lá, trabalhou como faxineira na Embaixada da Somália. Depois, conseguiu um emprego em um McDonald’s, onde foi descoberta como modelo por um fotógrafo.

Após ganhar visibilidade, Waris iniciou sua luta contra a MGF, alertando a comunidade internacional para os horrores da prática. Em 1996, ela se tornou Embaixadora da ONU contra a MGF. Em 2002, Waris fundou sua própria organização, a Desert Flower Foundation, que também tem uma página no Facebook.

A fundação revela histórias de mulheres que foram mutiladas e tem um papel ativo contra a MGF. Pessoas que desejam colaborar com a luta de Waris podem fazer doações no site da Desert Flower, para o projeto “Salve uma pequena flor do deserto”, um pacto feito entre doadores e famílias africanas para impedir que meninas sejam mutiladas.

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