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Por que são enviados fuzileiros navais americanos para a Austrália?

Os EUA fortalecem os laços de defesa com seus aliados regionais e expandem sua presença militar na região asiática do Pacífico

Por que são enviados fuzileiros navais americanos para a Austrália?
As tropas têm um sistema de turnos de seis meses na estação seca de abril a outubro (Foto: Instagram/@usmarinecorps/Cpl Anabel Abreu Rodriguez)

Como regra, quando os soldados fazem perguntas a um general em visita às suas bases militares, eles evitam temas sensíveis. Segundo a mesma regra, a maioria dos generais dá respostas agradáveis e inócuas. Porém, essa convenção foi rompida em 5 de fevereiro durante a inspeção do general Joseph Dunford, presidente do Estado Maior Conjunto dos EUA, a maior patente das Forças Armadas americanas, à tropa de fuzileiros navais na base militar de Darwin no norte da Austrália, uma região extremamente quente e infestada de crocodilos e cobras. Depois da inspeção habitual, um soldado apresentou-se à frente do general Dunford.

Sua pergunta brusca e direta referiu-se às possíveis consequências de uma guerra com a Coreia do Norte e o que havia mudado desde a Guerra da Coreia. “Teríamos tantas perdas de vidas humanas como na década de 1950?”, perguntou. Mas o general respondeu com franqueza que estava “profundamente” consciente dos custos da guerra na península coreana, porque seu pai havia lutado lá como fuzileiro naval. “O papel dos militares”, disse a cerca de 100 fuzileiros, alguns deles recém-saídos da adolescência, “é fazer todos os esforços diplomáticos e econômicos possíveis para que a Coreia do Norte interrompa o desenvolvimento de seu arsenal nuclear. Hoje, temos recursos mais sofisticados de combate, mas é preciso evitar uma guerra na península coreana, com resultados imprevisíveis. Porém, somos patriotas e obedeceremos às ordens de nossas lideranças”.

Os soldados ouviram suas palavras com um ar sombrio. Os fuzileiros navais em Darwin têm uma visão lúcida das consequências de futuras guerras. Em 2011, o presidente Barack Obama anunciou que enviaria 2.500 fuzileiros navais para a Austrália como um símbolo do “reequilíbrio da Ásia”. Os fuzileiros navais também atuam como uma barreira contra a crescente influência da China na região, o gigante econômico que absorve um terço de todas as exportações australianas.

As tropas têm um sistema de turnos de seis meses na estação seca de abril a outubro. Em 2017, a operação militar envolveu 1.250 fuzileiros navais e quatro Ospreys, um avião de alta velocidade capaz de decolagens e pousos verticais. A operação deste ano será ainda maior e só cerca de 100 soldados que vivem na base de Darwin em cabanas portáteis conhecidas como “Tin City”, à espera da chegada de seus companheiros, saudaram o general Dunford naquela manhã.

Ao lhe perguntarem se os soldados estavam em Darwin por razões práticas, por causa dos campos de treinamento excepcionalmente difíceis, ou por motivos geopolíticos, um coronel americano respondeu: “Sim e sim.” As oportunidades de treinamento são “espetaculares”, disse entusiasmado o coronel. Ao mesmo tempo, a presença de tropas do Exército dos EUA em Darwin tranquiliza seus aliados. Em Darwin, os fuzileiros navais treinam com soldados da Indonésia, Japão e França.

Todos esses países estão unidos por um compromisso com a ordem internacional baseada em regras, disse o general Dunford à imprensa, enquanto esperava o embarque noBoeing 757. “Em alguns círculos existe um esforço para retratar os Estados Unidos como uma potência em declínio no Pacífico”, observou o general. “Mas em uma campanha para enfraquecer os EUA no contexto político, diplomático e na área de defesa, o primeiro alvo a ser atingido seria a nossa rede de aliados. Além disso, não creio que haja uma mensagem mais poderosa ou um testemunho de compromisso tão forte com a ordem mundial do que a presença das tropas americanas no Pacífico”, acrescentou.

 

Fontes:
The Economist-Why US Marines are deployed to Australia’s far north

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