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Gangue salvadorenha vira mote de Trump contra imigração

Formada por imigrantes salvadorenhos nos EUA, a MS-13 é usada por Donald Trump para justificar sua agenda anti-imigração

Gangue salvadorenha vira mote de Trump contra imigração
A gangue MS-13 tem hoje mais de 10 mil membros nos EUA (Foto: scpr.org)

Na noite de 11 de abril, duas mulheres da gangue MS-13, um grupo criminoso com uma grande atuação nos Estados Unidos e na América Central, atraíram cinco adolescentes para um parque em Suffolk County, Nova York, onde uns doze membros do MS-13 com apelidos como “Anticristo” os estavam esperando. Ao chegarem, o grupo cercou os meninos, suspeitos de pertencerem a uma gangue rival, e os atacaram com facas, machetes e cassetetes de madeira. Um dos meninos conseguiu fugir. Os cadáveres dos outros quatro ficaram tão mutilados, que a polícia não mostrou às famílias a cena do crime.

O presidente Donald Trump usa o exemplo do MS-13 para enfatizar a necessidade de adotar políticas de imigração mais rigorosas. Muitos dos membros da gangue são imigrantes sem documentos legais.  O lema deles é “matar, estuprar e controlar o território”. O MS-13 não é uma ameaça nova. A gangue, cujo nome oficial é Mara Salvatrucha, originou-se em Los Angeles na década de 1980, quando milhares de salvadorenhos buscaram refúgio nos Estados Unidos fugindo de uma guerra civil violenta em El Salvador. No início, a gangue foi uma forma de os novos imigrantes salvadorenhos defenderem-se das gangues mexicanas que dominavam a cidade.

Ao longo dos últimos anos, o MS-13 se espalhou pelos EUA, e, hoje, segundo estimativas do Departamento de Justiça, tem mais de 10 mil membros e age em pelo menos 40 estados e na capital.

De acordo com o FBI, após um longo período de calma relativa, o MS-13 ficou mais violento nos últimos dois anos, sobretudo, no condado de Suffolk e em Washington DC. Dois agentes do FBI, Davila e Netemeyer, atribuem, em parte, esse aumento de violência à entrada de crianças e jovens migrantes desacompanhados nos EUA. Nos últimos cinco anos, mais de 185 mil crianças atravessaram a fronteira para fugir das gangues da América Central. Essas crianças e adolescentes tentando sobreviver sozinhos em um novo país, com uma cultura e língua diferentes, foram um alvo fácil de recrutamento para o MS-13.

“Os jovens querem fazer parte de gangues poderosas e temíveis, onde encontram um meio de se afirmarem”, disse Alex Sanchez, um antigo membro do MS-13, que agora administra um grupo de prevenção de violência em Los Angeles. Seria extremamente irônico se as menções frequentes do presidente Trump ao grupo em seus discursos anti-imigratórios atraíssem mais recrutas para o MS-13.

Fontes:
The Economist-The federal government may inadvertantly be helping MS-13 to recruit

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