Início » Internacional » Gantz rejeita proposta de coalizão de Netanyahu
ELEIÇÕES ISRAELENSES

Gantz rejeita proposta de coalizão de Netanyahu

Benjamin Netanyahu propôs uma coalizão liderada por ele e com a inclusão de legendas aliadas de seu partido, o Likud. Gantz descartou a oferta

Gantz rejeita proposta de coalizão de Netanyahu
Netanyahu se disse desapontado com a resposta do rival (Foto: Montagem/Mark Neyman/GPO/kremlin.ru)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Candidato ao posto de primeiro-ministro de Israel, Benny Gantz rejeitou nesta quinta-feira, 19, uma proposta apresentada por seu rival, Benjamin Netanyahu, para formação de um governo de união nacional.

Em um vídeo compartilhado no Twitter, Netanyahu, que atualmente conduz o país de forma interina, propôs a Gantz a formação de uma coalizão, que seria liderada por Netanyahu e incluiria partidos de extrema direita aliados do premiê.

No vídeo, Netanyahu destacou a necessidade de “trabalhar juntos” a fim de evitar uma terceira eleição no país. Isso porque as eleições da última terça-feira, 17, resultaram em um empate técnico entre os partidos Likud, de Netanyahu, e o Azul e Branco, de Gantaz.

Com 97% das urnas apuradas nesta quinta-feira, o Gantaz aparece com 33 assentos no Knesset, o Parlamento israelense, que tem 120 assentos. Já o Likud aparece com 32 assentos. Em terceiro lugar, ficou a Lista Árabe Unida, que aparece com 13 assentos garantidos. Com isso, nem o Likud nem o Azul e Branco alcançaram os 61 assentos necessários para formar um governo.

A proposta de Netanyahu, no entanto, foi rejeitada por Gantz. Embora tenha destacado a necessidade de diálogo e união após a votação do pleito, Gantz se recusa em formar uma coalizão com o Likud liderada por Netanyahu – que se disse desapontado com a rejeição à proposta.

A recusa se dá por dois fatores: primeiro, porque Netanyahu é alvo de escândalos de corrupção e atualmente responde a três inquéritos. Porém, como primeiro-ministro, ele tem imunidade parlamentar, o que evita seu indiciamento enquanto estiver à frente do governo. Os processos enfrentados por Netanyahu são:

Caso 1000: envolve a suspeita de recebimento de bens de luxo, como charutos, champanhes e joias, dos empresários Arnon Milchan e James Packer, em troca de favores políticos. Somados, os bens recebidos totalizam US$ 264 mil.

Caso 2000: envolve um acordo entre Netanyahu e o jornal Yedioth Ahronoth. Segundo investigações da polícia, Netanyahu se comprometeu a restringir a circulação do maior rival da publicação, o jornal Israel Hayom, em troca de uma cobertura favorável ao seu governo.

Caso 4000: o mais grave contra o primeiro-ministro, envolve suspeitas de favorecimento do grupo de telefonia Bezeq, que controla o site Walla, um dos maiores de Israel, em troca de uma cobertura favorável a Netanyahu.

Outro fator que levou Gantz a rejeitar a proposta de coalizão é sua intenção de construir um governo laico e liberal, projeto que seria comprometido com a inclusão das legendas de extrema-direita e ultraortodoxas apoiadas por Netanyahu.

“Para formar um governo de unidade, não se pode começar com blocos e costuras políticas. Deve-se começar com responsabilidade e seriedade. Eu pretendo agir de acordo”, disse Gantz em resposta à proposta, destacando ainda que foi o partido dele quem garantiu mais assentos.

Posteriormente, o Moshe Yaalon, do Azul e Branco, sacramentou a rejeição à proposta ao afirmar: “Não entraremos em uma coalizão liderada por Netanyahu”.

Em análise à rede Al Jazeera, o comentarista político Akiva Eldar, do site Al-Monitor, destacou que a oferta de Netanyahu visa “jogar a batata quente” para o rival, “de forma a ser o primeiro a culpar Gantz por discordar da união”.

Ele também destacou que a resolução do impasse é um caso de vida ou morte para a trajetória política de Bibi – como é chamado Netanyahu em Israel.

“Isso [a saída do poder] significa que Netanyahu pode ser indiciado, porque um ministro não tem imunidade. O nome do jogo é ‘salvando Netanyahu da prisão’ – qualquer outra coisa [além da coalizão] não funcionará”, ponderou Eldar.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *